LISBOA - Encerrar um projeto que fez parte da história da música brasileira pode até ser uma decisão difícil, mas, no caso do Sepultura, é acertada, na opinião de Andreas Kisser. O guitarrista se apresenta com a banda neste domingo, 21, no Rock in Rio Lisboa. O grupo teve uma sólida carreira internacional e atualmente faz sua turnê de despedida, Celebrating Life Through Death, na Europa.
"Não adianta falarmos 'agora está legal, vamos continuar'. Estaríamos enganando [os fãs]", disse, em coletiva de imprensa realizada no festival em Portugal. "Estamos muito tranquilos e com zero arrependimento. Trabalhamos muito duro para que pudesse acontecer dessa forma."
Andreas Kisser ainda disse que "prefere não ficar pensando" no cenário do rock atual e em projetos dos irmãos Cavalera, fundadores da banda, com músicas do Sepultura. "O legado é você que escolhe, guarda ou leva para a frente. Por exemplo, o Motörhead, para mim, vai estar vivo pelo resto da minha vida. A banda não existe mais, mas, para mim, não morreu. O legado vai ficar comigo."
O músico também avalia que o Sepultura conseguiu manter a "integridade artística" ao longo do tempo, mesmo com pressões para incluir gêneros em alta nas músicas do grupo. "Muita gente orienta: 'Faz uma coisa mais pop, vai pro sertanejo, faz uma grana, depois você faz rock'. Nunca ouvimos isso porque nunca fizemos nenhuma concessão artística e não tivemos medo de chamar Carlinhos Brown para tocar berimbau em Roots, por exemplo", comentou.
É dia de rock em Lisboa
Neste domingo, 21, o Rock in Rio Lisboa tem o "dia do rock" com shows da banda brasileira e de Linkin Park, entre outros artistas. O Sepultura também se apresenta no Rock in Rio em setembro e faz o show derradeiro em novembro, em São Paulo. No sábado, 20, primeiro dia de festival, passar por lá Pedro Sampaio e Alok.
*A repórter viajou a convite do Rock in Rio