Cella fala sobre Carimpop: "A música amazônica pode dialogar com o mundo inteiro"[Entrevista]

Cella vive um dos momentos mais importantes da sua trajetória artística. Aos 24 anos, a cantora, apresentou "Efeito Borboleta", seu primeiro álbum, um trabalho que traz o conceito de CarimPop, que une o carimbó ao pop contemporâneo. Em entrevista a Conexão Beat, Cella falou sobre o processo de amadurecimento que deu origem ao álbum, a […]

9 jul 2026 - 09h06
(atualizado às 12h12)

Cella vive um dos momentos mais importantes da sua trajetória artística. Aos 24 anos, a cantora, apresentou "Efeito Borboleta", seu primeiro álbum, um trabalho que traz o conceito de CarimPop, que une o carimbó ao pop contemporâneo.

Cella fala sobre Carimpop: “A música amazônica pode dialogar com o mundo inteiro”[Entrevista]
Cella fala sobre Carimpop: “A música amazônica pode dialogar com o mundo inteiro”[Entrevista]
Foto: Conexão Beat / Conexão Beat

Em entrevista a Conexão Beat, Cella falou sobre o processo de amadurecimento que deu origem ao álbum, a importância de levar a cultura amazônica para novos públicos e os próximos passos desse novo ciclo. "Quero que alguém em qualquer lugar do mundo ouça uma música minha e desperte a curiosidade de conhecer mais sobre a Amazônia.", destacou a artista.

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O disco vem carregado de um manifesto sobre transformação, pertencimento e identidade. "A maior transformação foi entender que eu não precisava escolher entre quem eu sou e a artista que eu queria ser."

Confira abaixo na íntegra:

"Efeito Borboleta" representa um novo capítulo na sua carreira e fala muito sobre transformação. Qual foi a maior mudança que você viveu, como artista e como pessoa, durante a criação desse álbum?

Cella: A maior transformação foi entender que eu não precisava escolher entre quem eu sou e a artista que eu queria ser. Durante muito tempo eu tentei me encaixar em referências que admirava, até perceber que a minha maior força estava justamente nas minhas origens. "Efeito Borboleta" nasceu desse processo de amadurecimento, de aceitar minhas vulnerabilidades, minhas mudanças e de confiar mais na minha própria identidade. Hoje me sinto uma artista muito mais consciente do que quero comunicar e uma pessoa mais leve, que entende que mudar faz parte do caminho.

Você criou o conceito de "CarimPop", misturando o carimbó com o pop contemporâneo e referências amazônicas. Como foi transformar suas origens em uma identidade musical tão própria e qual é a importância de levar essa cultura para novos públicos?

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Cella: O CarimPop nasceu de uma vontade muito genuína de mostrar que a música amazônica pode dialogar com o mundo inteiro. Cresci cercada por ritmos do Norte e sempre senti que eles tinham um potencial enorme de conversar com a música pop contemporânea. Não é sobre modernizar uma tradição, mas criar uma ponte entre gerações e públicos diferentes. Quero que alguém em qualquer lugar do mundo ouça uma música minha e desperte a curiosidade de conhecer mais sobre a Amazônia, sobre a riqueza cultural que existe na nossa região.

Além das sonoridades, o álbum também apresenta uma narrativa visual e conceitual muito forte. Como você pensou essa experiência completa e o que espera que o público sinta ao mergulhar no universo de "Efeito Borboleta"?

Cella: Sempre enxerguei a música como uma experiência completa. Minha formação no teatro e no audiovisual faz com que eu pense cada detalhe: a identidade visual, os figurinos, os videoclipes, as cores e até a forma como as músicas se conectam entre si. "Efeito Borboleta" é quase um convite para viver uma história. Espero que as pessoas se reconheçam nas letras, sintam que também podem se transformar e saiam desse universo acreditando que pequenas escolhas podem mudar completamente o rumo da nossa vida.

Sua trajetória reúne música, teatro, audiovisual, produção cultural e direção artística. De que forma essas diferentes linguagens conversam entre si e influenciam a artista que você é hoje?

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Cella: Elas se alimentam o tempo todo. O teatro me ensinou a contar histórias, o audiovisual ampliou meu olhar estético, a produção cultural me fez entender a importância de criar espaços para outros artistas, e a música acabou virando o lugar onde tudo isso se encontra. Eu gosto de pensar em projetos de forma integrada. Não penso apenas em lançar uma canção, mas em criar um universo que conecte pessoas.

Você protagonizou o musical Fala Sério, Mãe! - Elas Só Mudam de Endereço, inspirado na obra de Thalita Rebouças, e o espetáculo deve retornar aos palcos no Rio de Janeiro e em São Paulo ainda este ano. O que essa personagem representa na sua carreira e como foi viver uma história tão querida pelo público?

Cella: Foi um presente enorme. Viver essa personagem me fez crescer muito como atriz e reforçou meu amor pelo teatro musical. O espetáculo tem uma conexão muito bonita com o público porque fala sobre relações familiares, mudanças e afeto de uma forma muito humana e divertida. Fazer parte dessa história, inspirada na obra da Thalita Rebouças, foi um marco na minha trajetória, e voltar aos palcos com esse projeto será muito especial.

Aos 24 anos, você já acumula experiências importantes na música e no teatro, mas agora inicia uma nova fase com seu primeiro álbum. Quando você olha para o futuro, o que espera construir como artista amazônida e o que ainda sonha realizar?

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Cella: Quero ajudar a abrir caminhos para que mais artistas amazônidas ocupem espaços no mercado nacional e internacional. Tenho muito orgulho de representar a minha região e acredito que ainda existe um universo enorme de histórias, sons e talentos que merecem ser vistos. Sonho em levar minha música para festivais pelo mundo, criar espetáculos, produzir projetos que fortaleçam a cultura brasileira e mostrar que a Amazônia também é um centro de inovação artística e criativa.

O que pode adiantar dos próximos lançamentos?

Cella: "Encantaria" abriu esse novo ciclo, mas "Efeito Borboleta" ainda guarda muitas surpresas. Teremos experiências ao vivo e algumas colaborações muito especiais. Também estou desenvolvendo projetos que unem música, teatro e audiovisual, porque gosto de criar experiências que vão além do streaming. Posso dizer que esse é só o começo dessa nova fase, e estou muito animada para dividir tudo isso com o público!!

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