Meia-noite de segunda-feira. Milhares (milhões?) de pessoas aguardam ansiosamente o vídeo prometido por Felca no YouTube.
A maioria tem certeza de que se trata de uma investigação bombástica capaz de mudar o rumo da eleição presidencial.
As redes sociais apostam em conteúdo sobre a influência das milícias cariocas sobre políticos poderosos.
Enfim, o vídeo é carregado. O tema: fobia social. Uma hora de depoimento sobre as dores emocionais de um homem que padece mentalmente desde a infância.
Felca escolheu a data certa para reaparecer: 20 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Bullying, dedicado a discutir e mobilizar contra a intimidação sistemática no ambiente escolar e na internet, onde acontece o cyberbullying.
A maior parte dos comentários no X, TikTok, Instagram e outras redes é de críticas a ele por suposto egocentrismo.
Alegam que pensou apenas em si mesmo no momento em que o assunto principal é o futuro do Brasil, a ser decidido nas urnas no domingo, dia 25.
O influenciador vira alvo também de explícito deboche. Experimenta, mais uma vez, a ridicularização.
Compreende-se a frustração de quem o via como um salvador da Pátria que poderia impedir o eventual retorno dos Bolsonaros à Presidência.
Na prática, o que aconteceu foi um excesso de expectativa provocado, em parte, pela repercussão gigantesca de seu vídeo sobre adultização, publicado em agosto de 2025.
Imaginou-se que o ‘super influencer’ faria uma volta triunfal à mídia com outro material investigativo tão estarrecedor a ponto de pressionar os Poderes do país a tomar atitudes e criminalizar certas figuras públicas.
Esqueceram que nem tudo é sobre a guerra entre direita e esquerda, lulistas e bolsonaristas. Há várias outras urgências, a exemplo do sofrimento de milhões de brasileiros anônimos incapacitados por diferentes transtornos.
Não apenas a fobia social, mas também a depressão, a ansiedade, a bipolaridade, o TOC, o estresse pós-traumático, entre outros. Muitos casos terminam em suicídio.
Independentemente de qual candidato sair vitorioso na eleição, as pessoas continuarão vulneráveis e necessitadas de atenção e tratamento.
O vídeo serve de alerta para a sociedade não esquecer de identificar e defender esse grupo numeroso.
Sagaz, o influenciador aproveitou a combinação de circunstâncias — a data simbólica contra o bullying, a curiosidade a respeito de seu sumiço e o estado de atenção provocado pela eleição — para fazer um marketing viral eficiente.
Não há por que culpá-lo por explorar a oportunidade perfeita. Aliás, Felca mostra que seria um excelente marqueteiro político.