A prisão do ex-príncipe Andrew por ligação com o caso Jeffrey Epstein é o maior vexame vivido pelo clã Windsor desde que o ex-rei Edward III, que abdicou em 1936 para se casar com Wallis Simpson, fez uma visita de cortesia ao ditador Adolf Hitler, na Alemanha, em plena Segunda Guerra.
Enquanto isso, sua família resistia bravamente ao avanço do nazismo no Reino Unido. Posteriormente, a monarquia britânica ajudou a derrotar o regime sangrento que devastou parte da Europa e matou milhões de pessoas, especialmente judeus e outras minorias.
Nem os escândalos de traição de Charles e Diana, relatados em detalhes sórdidos nos tabloides de fofocas, geraram tanto constrangimento quanto a detenção de Andrew, que era apontado como o filho preferido da então rainha Elizabeth II. Há um dano imensurável à imagem do regime monárquico.
Mesmo perdendo todos os seus títulos e banido dos compromissos oficiais, o ex-príncipe continua a tirar o sossego do rei Charles III, que enfrenta um tratamento contra um câncer.
Os dois nunca foram próximos e se distanciaram ainda mais após a revelação do envolvimento direto de Andrew no escândalo de tráfico e abuso de mulheres nos Estados Unidos.
O ocupante do trono vive um dilema: ajudar o irmão para tentar resolver logo a situação ou lavar as mãos para não ser acusado de apoiar um suposto predador sexual.
Há outro possível efeito colateral: as filhas de Andrew, Beatrice e Eugenie, que se mantiveram ao lado do pai, podem perder o título de princesa. A decisão cabe a Charles.
O que está em jogo é a sobrevivência institucional da monarquia mais famosa do planeta, que sobrevive a ataques de todos os gêneros há quase 1.000 anos.