A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, vítima de agressões na Praia Brava, em Florianópolis, segue avançando e ganhou ainda mais visibilidade após ser exibida no Fantástico neste domingo (1). O episódio, que causou indignação em todo o país, apura a possível participação de quatro adolescentes.
Como parte das diligências, a Polícia Civil apreendeu celulares que pertencem aos jovens investigados. Dois deles foram abordados ao desembarcar de uma viagem internacional, e os aparelhos foram encaminhados para perícia técnica. O objetivo é identificar mensagens, registros ou qualquer outro dado que possa contribuir para o esclarecimento do caso.
"Os celulares estão apreendidos, eles estão em posse da Polícia Científica, que está realizando a extração de todas as informações dos quatro aparelhos para ver se é encontrado mais algum elemento de informação", afirmou Renan Balbino, delegado responsável por casos envolvendo adolescentes em conflito com a lei.
Declaração do pai de um dos investigados
Por se tratar de menores de idade, os nomes dos adolescentes não foram divulgados, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ainda assim, um dos pais decidiu se manifestar publicamente durante a reportagem exibida pela TV e afirmou que não compactua com qualquer tipo de crime, desde que haja comprovação dos fatos.
"A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas", declarou.
O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas das famílias envolvidas, também comentou os próximos passos do processo. Segundo ele, a expectativa é que os depoimentos sejam colhidos com agilidade e que a apuração permita distinguir responsabilidades individuais.
"Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio", afirmou.