Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, havia pago para viver uma experiência que prometia adrenalina e boas memórias. O que ela não sabia é que o valor desembolsado incluía também o registro em câmera 360 graus de um salto que jamais seria concluído com segurança.
Ela foi lançada de uma altura de cerca de 40 metros sem estar conectada às cordas de segurança na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no último sábado (13), em um acidente que levou à prisão preventiva de três instrutores.
Segundo a investigação, Maria Eduarda desembolsou R$ 180 pela atividade e outros R$ 150 para registrar a experiência com uma câmera 360 graus, totalizando R$ 330.
Quem era Maria Eduarda
Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda era formada em educação física e gestão esportiva e trabalhava em uma academia. Apaixonada por atividades ao ar livre, usava as redes sociais para registrar aventuras e o contato com a natureza. Torcedora do Santos Futebol Clube, ela construía uma trajetória pautada pelo esporte e pela liberdade que os ambientes externos proporcionam.
Horas antes da tragédia, ainda publicou uma mensagem em tom de brincadeira: "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???". Não sabia que seria a última.
O que aconteceu
A apuração da Polícia Civil indica que Maria Eduarda segurava a câmera 360º no momento do salto. Imagens gravadas por testemunhas mostram a jovem sendo carregada por três homens até a plataforma e lançada na modalidade conhecida como "aviãozinho".
Em seguida, pessoas que acompanhavam a atividade perceberam que ela não estava presa às cordas e gritaram em desespero. Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros constataram a morte ainda no local.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Andréa Dantas Levy, a falha foi grave e dupla: "Dois deles disseram que ficam responsáveis por amarrar as cordas, só que na hora tiveram um apagão. Eles disseram que não conseguem se recordar onde e quando ocorreu a falha. Eram duas cordas que deveriam ter sido colocadas, e não foi colocada nenhuma. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes", afirmou ao O Globo.
Os instrutores presos
Os três responsáveis pelo salto foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual — quando não há intenção direta de matar, mas o agente assume o risco de produzir o resultado fatal. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, 42 anos.
Em depoimento, dois deles afirmaram ter sofrido um "apagão" durante os preparativos e não souberam explicar em que momento deixaram de prender as cordas.
A câmera que desapareceu
O desaparecimento da câmera 360 graus passou a integrar a investigação. O equipamento aparece nas mãos de Maria Eduarda momentos antes da queda, mas não foi encontrado durante as buscas realizadas após o acidente. O sumiço do aparelho, pago à parte, justamente para registrar o momento, é mais um elemento que os investigadores tentam esclarecer.
Informações: O Globo