Doença que atormenta 12 milhões de homens no Brasil fez Igor Thiago pensar em desistir de tudo

Atacante contou com o apoio da família e suporte terapêutico para enfrentar a depressão

13 jun 2026 - 12h23
(atualizado às 12h23)

Segundo estatísticas, ao longo da vida cerca de 12% dos homens no Brasil podem ter sintomas de depressão. Hoje, este índice representa 12,6 milhões de cidadãos.

Entre eles está Igor Thiago, do Brentford e da Seleção. Pelo bom desempenho no campeonato inglês, ele é uma das maiores esperanças de gols no time de Carlo Ancelotti.

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Hoje, o atacante de 24 anos vive fase positiva dentro e fora de campo, diferentemente de 2020, quando o Cruzeiro foi rebaixado para a Série B e as críticas de todos os lados — torcida, imprensa, redes sociais — o jogaram em uma depressão.

Em entrevistas, ele contou ter pensado em desistir da carreira e dar fim ao sofrimento emocional de maneira drástica.

“Pensou em bater o carro”, contou sua mulher, Letícia Carvalho”, a ‘O Globo’. “Confessou que havia pensando em tirar a própria vida.”

Igor pediu socorro à família, onde recebeu acolhimento, e encontrou o necessário tratamento com um psicólogo. Também recorreu à religiosidade. Conseguiu se recuperar.

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Deprimido, Igor Thiago encontrou apoio entre os parentes, no consultório de um psicólogo e na fé
Deprimido, Igor Thiago encontrou apoio entre os parentes, no consultório de um psicólogo e na fé
Foto: Reprodução/@thiago01

Ele não foi o único craque da bola a sucumbir. Outros jogadores admitiram ter ficado deprimidos em algum momento da trajetória nos gramados, a exemplo de Kaká, Nilmar, Alisson (Fluminense), Michael (Al-Ula) e Matheus Pereira (Cruzeiro). 

O futebol transmite uma impressão de vida perfeita: salários milionários, mansões, carros incríveis, mulheres belíssimas, festas, viagens luxuosas. 

Por trás da aparência invejável há dura cobrança por resultados, racismo explícito dentro e fora de campo, pesado ódio nas redes sociais, concorrência interna nos times, medo de falhar, solidão.

A maioria dos brasileiros com depressão sofre calada com vergonha de admitir o sofrimento ainda visto como fraqueza diante do conceito de masculinidade.

Outra parte, mesmo padecendo, se recusa a buscar ajuda profissional porque acredita que psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta é “coisa para maluco”, ecoando o velho preconceito contra doenças mentais.

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Essa autonegligência cobra um preço caro: o sexo masculino representa quase 80% dos casos de suicídio no Brasil. Em média, 12 mil mortes por ano.

Famoso ou anônimo, rico ou pobre, o homem com depressão precisa vencer as barreiras íntimas e sociais a fim de priorizar a saúde mental.

Procurar tratamento não é sinal de derrota, mas o primeiro passo para continuar em campo — e, sobretudo, permanecer vivo. 

Atenção: em caso de sofrimento emocional, você pode ligar gratuitamente para 188. Os atendentes do CVV (Centro de Valorização da Vida) estão disponíveis 24 horas para conversar, sem julgamentos ou críticas, respeitando os sentimentos de quem procura ajuda.

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