A atriz Maisa movimentou as redes sociais ao revelar seus critérios para escolher um parceiro amoroso. Aos 24 anos, a artista gravou um vídeo divertido com a amiga Júlia Rabelo. Na publicação, a jovem listou atitudes masculinas que considera inaceitáveis logo nos primeiros encontros.
A gravação foi ao ar na última terça-feira (4) e destacou a falta de ambição profissional como um problema grave. "Ok você estar desempregado agora, mas se você não trabalha por opção, por inércia…", desabafou. Além disso, a famosa ressaltou que rejeita homens que costumam criticar antigas companheiras de forma desrespeitosa. "Homem que fica chamando as ex de louca", exemplificou a artista durante a conversa.
O que mais disse Maisa?
Por atuar nos palcos e na televisão desde a infância, Maisa pontuou que o ciúme profissional prejudica qualquer relação. "Eu não namoraria um homem que seja extremamente ciumento, principalmente em relação ao trabalho, eu sou atriz", destacou.
A distância geográfica e a falta de flexibilidade de horários também entram na lista de restrições da moça. "Eu não namoraria um cara que mora muito longe de mim e que não tem previsão de me ver. Porque é assim, a minha vida é um pouco flexível, só que tem períodos que não fica. Então eu preciso que alguém esteja pelo menos na mesma página que eu, de flexibilidade, para a gente poder se ver", explicou.
Por fim, a apresentadora considera a falta de educação com funcionários um erro imperdoável em um encontro. "A coisa mais grotesca é sair com um cara num date que não sabe tratar bem os atendentes", disparou.
Especialista analisa o fenômeno 'boy sober'
As declarações da artista refletem um movimento que ganha força entre mulheres. A psiquiatra Dra. Jéssica Martani explicou que esse comportamento faz parte do conceito boy sober, focado na saúde emocional.
"A tendência conhecida como boy sober representa uma mudança importante na forma como muitas pessoas, especialmente mulheres jovens, estão encarando os relacionamentos. Em vez de buscar um parceiro por medo da solidão, pressão social ou necessidade de validação, elas passam a priorizar o próprio bem-estar emocional e a construir vínculos apenas quando esses realmente agregam à sua vida", analisou a profissional.
"Isso não significa rejeitar o amor, mas compreender que um relacionamento saudável deve promover segurança, respeito, admiração e crescimento mútuo. Permanecer solteira deixa de ser visto como um problema e passa a ser uma escolha legítima quando a alternativa é entrar em uma relação que não atende às próprias necessidades emocionais", completou.
Sendo assim, a especialista ressalta que estabelecer limites claros demonstra grande maturidade afetiva. "No caso da Maisa, ao afirmar que prefere ficar sozinha do que namorar alguém que não se encaixe em determinados critérios, ela reforça um conceito importante de autonomia afetiva. Ter clareza sobre aquilo que é indispensável em um relacionamento não é sinônimo de arrogância ou de exigência exagerada. Pelo contrário, conhecer os próprios valores, reconhecer os próprios limites e saber quais comportamentos são inegociáveis costuma ser um indicativo de maturidade emocional", acrescentou.
"Muitas pessoas entram em relações ignorando sinais de incompatibilidade por receio de ficarem sozinhas, e isso pode resultar em frustração, desgaste psicológico e até relacionamentos abusivos", alertou.
O limite entre exigências saudáveis e idealização
No entanto, a psiquiatra orienta que as pessoas devem tomar cuidado com padrões inalcançáveis na hora da busca. "Ao mesmo tempo, é importante diferenciar critérios saudáveis de expectativas idealizadas. Uma lista de características pode funcionar como um exercício de autoconhecimento, ajudando a identificar valores essenciais, como respeito, honestidade, responsabilidade afetiva, objetivos de vida compatíveis e boa comunicação", avaliou Dra. Jéssica Martani.
"No entanto, quando a busca se concentra em um parceiro perfeito, sem espaço para diferenças, imperfeições e construção conjunta, existe o risco de criar padrões inalcançáveis que dificultam qualquer vínculo. Relacionamentos saudáveis exigem compatibilidade em aspectos essenciais, mas também diálogo, flexibilidade e disposição para lidar com as diferenças", ressaltou.
Dessa forma, a prioridade das novas gerações se volta para a autoestima e a independência pessoal antes do namoro ou casamento. "O fenômeno boy sober também evidencia uma transformação cultural. Hoje, existe uma valorização maior da saúde mental, da independência e da qualidade dos relacionamentos, em detrimento da ideia de que é preciso estar namorando para ser feliz ou bem-sucedido", afirmou.
"Escolher permanecer solteiro até encontrar alguém compatível pode ser uma demonstração de autoestima e de responsabilidade emocional. O mais importante é que essa decisão seja baseada em autoconhecimento e não em medo, ressentimento ou generalizações sobre o outro. Relações afetivas devem representar um acréscimo à vida da pessoa, e não uma tentativa de preencher vazios emocionais ou atender expectativas impostas pela sociedade", concluiu a Dra.