Antes de conhecer Tarcisio Meira, com quem ficou casada por 59 anos, Glória Menezes teve outro casamento: um matrimônio arranjado com um primo distante, Arnaldo Brito, com quem teve dois filhos. Eles ficaram juntos por oito anos. Glória morreu nesta terça-feira, 18.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Glória e Brito ficaram casados entre 1951 e 1959, tendo começado o relacionamento quando ela tinha 17 anos. Juntos, tiveram dois filhos: João Paulo Brito e Maria Amélia Brito. O terceiro herdeiro é Tarcísio Filho, único filho da atriz com o ator Tarcísio Meira.
Quem foi Glória Menezes
Aos 91 anos, Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18, em seu apartamento no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa da artista informou ao Terra, ela morreu de causas naturais.
Glória Menezes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934. Ainda durante a infância, mudou-se com a família para São Paulo, onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Na época, também participou da criação do grupo de teatro amador Jovens Independentes. O envolvimento com a companhia fez com que ela deixasse a faculdade para se dedicar aos projetos teatrais.
A estreia nos palcos aconteceu em 1959, quando recebeu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador dirigido por Antunes Filho. No mesmo ano, Glória iniciou a carreira na televisão pela TV Tupi. Entre os primeiros trabalhos esteve Um Lugar Ao Sol, produção que contou ainda com nomes como Laura Cardoso e Henrique Martins.
O cinema também marcou os primeiros anos da carreira. Em 1962, Glória protagonizou O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. A produção foi exibida no Festival de Cannes e conquistou a Palma de Ouro, feito que permanece como o único de um filme brasileiro e sul-americano na premiação.
Na televisão, um dos primeiros grandes marcos veio em 1963. Ao lado de Tarcísio Meira e Lolita Rodrigues, Glória protagonizou 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Durante esse período, ela e Tarcísio Meira iniciaram um relacionamento e posteriormente se casaram. Os dois voltaram a contracenar em A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966).
A chegada à TV Globo ocorreu em 1967, quando o casal passou a integrar o elenco da emissora. Juntos, atuaram em produções como Sangue e Areia (1967), de Janete Clair, e Rosa Rebelde (1969). Os dois também seguiram em trabalhos separados. Em Passos dos Ventos, Glória formou par romântico com Carlos Alberto, enquanto Tarcísio Meira atuou em A Gata de Vison, ao lado de Yoná Magalhães.
Um dos papéis mais marcantes de Glória veio em Irmãos Coragem, também escrita por Janete Clair. Na trama, a atriz interpretou Diana, Lara e Márcia, três personalidades da mesma personagem. A novela alcançou grande audiência e consolidou o nome da atriz na televisão brasileira.
Durante os anos 1970, Glória continuou em destaque em novelas como O Homem Que Deve Morrer, também de Janete Clair, produção que substituiu Irmãos Coragem na programação. Mais uma vez, ela dividiu o elenco com Tarcísio Meira.
Outro trabalho de destaque foi O Grito, exibida em 1975. Escrita por Jorge Andrade, a novela retratava conflitos e a rotina caótica da cidade de São Paulo. Quatro anos depois, Glória voltou a interpretar uma personagem de Janete Clair em Pai Herói, dando vida a Ana Preta em uma produção que reuniu nomes importantes da dramaturgia, como Paulo Autran.
Já na década de 1980, a atriz participou de novelas como Corpo a Corpo e Brega e Chique, nesta última ao lado de Marília Pêra e com a participação de seu filho, Tarcísio Filho. Glória também protagonizou Tarcísio & Glória, seriado criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon.
Nos anos 1990, um de seus personagens mais lembrados foi Laurinha Figueiroa, de Rainha da Sucata. Na trama, Glória interpretou uma socialite sofisticada que enfrentava a falência. A personagem protagonizou uma das cenas mais marcantes da novela ao cometer suicídio ao pular de um prédio.
Depois de Rainha da Sucata, a atriz continuou presente em produções de destaque da televisão, como A Próxima Vítima, Torre de Babel, Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Páginas da Vida e A Favorita.
No teatro, Glória também construiu uma trajetória extensa. Entre os trabalhos nos palcos estão Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, peça em que interpretou uma paciente em estágio terminal de câncer.