Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT+, uma pergunta se impõe em meio ao maior evento esportivo do planeta: onde estão os jogadores gays e bissexuais desta Copa do Mundo?
As 48 seleções que disputam o Mundial reúnem 1.248 atletas. Estatisticamente, é difícil imaginar que entre tantos homens não existam orientações sexuais não heterossexuais. Ainda assim, nenhum convocado é publicamente ‘assumido’.
A hipótese provável é que o jogador homossexual ou bissexual prefira permanecer no armário durante a carreira. O receio não é difícil de entender.
Há medo da rejeição da torcida, do julgamento dos colegas de profissão, de ataques à família, da perda de contratos publicitários. Enfim, de que a sexualidade seja usada para prejudicá-lo.
O futebol masculino de alto rendimento continua inserido em uma cultura de masculinidade rígida, em que demonstrações de vulnerabilidade ou qualquer comportamento que fuja do padrão esperado ainda podem gerar preconceito.
A comparação com o futebol feminino ajuda a dimensionar esse problema. Há diversas atletas declaradamente lésbicas, bissexuais ou ‘queer’ defendendo seleções nacionais, sem que isso seja tratado como um acontecimento extraordinário.
Nos últimos anos, alguns jogadores consagrados passaram a se posicionar contra a homofobia ou a participar de campanhas em defesa da diversidade.
Alguns deles estão neste Mundial, a exemplo de Harry Kane (Inglaterra), Manuel Neuer (Alemanha), Bruno Fernandes (Portugal), Jackson Irvine (Austrália), Patrick Berg (Noruega) e Borja Iglesias (Espanha).
Neste Dia do Orgulho LGBT+, a ausência de homens conhecidamente gays e bissexuais no maior palco do futebol, com visibilidade planetária, funciona como um lembrete de que a luta contra a discriminação está longe do fim.
O dia em que um jogador ligado à bandeira do arco-íris puder assumir sua orientação sexual sem que isso o prejudique dentro e fora das quatro linhas será o sinal claro de que o esporte mais popular do mundo finalmente venceu uma de suas barreiras mais antigas.