Homem não chora. Não pode esmorecer. Jamais demonstra fraqueza. Em hipótese alguma pede socorro. Nunca desiste.
Essas expectativas, ainda muito presentes na nossa cultura, ajudam a explicar por que tantos brasileiros demoram a procurar atendimento médico ou psicológico.
E assim, todos os anos, milhares morrem precocemente em consequência da omissão com a saúde física e o estado mental.
Uma tragédia resultante do machismo.
Por isso, ao optar por deixar a cobertura da Copa e voltar ao Brasil, dias após sofrer um mal-estar ao vivo, Alex Escobar se torna um exemplo positivo a ser seguido.
Melhor suportar a frustração de interromper um projeto profissional do que insistir em seguir trabalhando sem compreender plenamente as causas do problema de saúde.
Mais sensato retornar para perto da família e ser avaliado por médicos de confiança. Descansar o corpo, reforçar a mente.
Escobar está com 51 anos. Dados do Ministério da Saúde e estudos científicos mostram que os homens nesta faixa etária são vítimas frequentes de mortalidade evitável. Falham ao não buscar a prevenção.
Descobrem doenças tardiamente, quando há menor taxa de cura ou maior dificuldade de controle dos efeitos nocivos. Entre elas, a hipertensão, o diabetes, o câncer de próstata e a depressão.
Por isso, quando uma figura pública respeitável como Alex Escobar prioriza a própria vida e vai em busca de ajuda especializada, pode influenciar muitos outros cidadãos a tomar a mesma decisão.
É urgente combater o estigma que ainda impede tantos de nós a procurar atendimento. Ninguém merece sofrer calado ou sucumbir por manter a pose de ‘machão’.
O Ministério da Saúde disponibiliza o telefone gratuito 136 para orientações sobre doenças, campanhas e programas de saúde.
Já o 188 é do CVV (Centro de Valorização da Vida), um serviço de escuta a quem está em crise emocional e precisa conversar.