O voto declarado de Neymar em Jair Bolsonaro na eleição de 2022, às vésperas da Copa do Catar, politizou sua imagem pública em um Brasil rachado ideologicamente.
Neste Mundial, em que ele tenta ajudar a Seleção a conquistar o Hexa, não é diferente: a torcida se divide entre apoiar e criticar o jogador a partir de seu posicionamento à direita.
Interessante constatar que o atacante segue celebridades assumidamente de esquerda no Instagram.
Demonstra separar convicções eleitorais das relações pessoais, algo cada vez mais incomum no ambiente digital brasileiro, marcado pelo ódio entre bolsonaristas e antibolsonaristas.
A lista de quem Neymar segue inclui artistas e comunicadores que defendem pautas como direitos LGBTQIA+, feminismo, combate ao racismo e críticas a governos conservadores.
Entre eles, Regina Casé, Paolla Oliveira, Mano Brown, Ludmilla, Alice Braga, Emicida, Rodrigo Hilbert, Maya Massafera, Fernanda Paes Leme, Bianca Andrade, João Vicente de Castro e Madonna.
O jogador acompanha o perfil de poucos políticos. Os mais famosos são Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
Seu posicionamento não sai barato. Já recebeu duras contestações, inclusive do comentarista esportivo Casagrande.
Na eleição presidencial passada, o atual Camisa 10 reclamou dos ataques. Escreveu numa rede social que as pessoas que defendem a democracia são as mesmas que não aceitam opinião diferente na política.
Dias atrás, Neymar foi envolvido numa pequena polêmica. O presidente Lula ironizou a longa ausência do jogador em campo devido às lesões.
Disse que ele era "o primeiro convocado home office do mundo". A direita em peso saiu em defesa do atleta. Ele preferiu não responder diretamente ao líder petista. Postou apenas a mensagem “no day off” (sem descanso).
Age certo ao não alimentar mais uma controvérsia. Já lida com muitas nos gramados.