Como a mãe de Dinho recebeu a notícia da morte precoce do filho

Célia Alves relembra o dia do acidente, fala sobre o talento precoce do vocalista dos "Mamonas Assassinas" e conta como enfrentou quase três décadas de saudade

2 mar 2026 - 15h42

A lembrança mais marcante que Célia Alves, hoje com 72 anos, guarda de seu filho Alecsander Alves Leite, o Dinho, é o instante em que o viu pela primeira vez. "Eu vi aquele menino lindo, pesando quase 5 kg. Eu tinha apenas 17 anos. Era cabeludo, a coisa mais linda. É o momento mais feliz da minha vida, quando ele veio ao mundo para minha alegria. E eu não sabia que ele iria trazer tanta alegria pro povo também", conta em entrevista ao Terra. O cantor morreu em 2 de março de 1996, aos 25 anos, três dias antes de completar 26. Ele estava no avião que colidiu com a Serra da Cantareira, ao lado dos colegas de banda e da equipe, incluindo o primo Isaac.

Carlinhos Maia e Patixa Teló em vídeo
Carlinhos Maia e Patixa Teló em vídeo
Foto: Reprodução/Instagram / Contigo

"Eu estava no aeroporto, tinha ido buscar ele. Não foi fácil. Você lá, esperando sair teu filho, na saída do aeroporto. E de repente vem essa notícia. Eu entrei em um pesadelo, todos nós familiares entramos nesse pesadelo. Eu perdi não somente meu filho, mas meu sobrinho Isaac. Éramos duas irmãs com a mesma dor. A dor também era da perda de todos eles, os meninos viviam na minha casa", relata. O sucesso do grupo foi meteórico, mas suficiente para marcar gerações. Dinho, Bento, Samuel, Sérgio e Júlio Rasec conquistaram o país com irreverência e talento.

Publicidade

Desde pequeno, o artista já demonstrava vocação musical. Aos três anos, cantava na igreja que a família frequentava. "Eu sempre acreditei que ele ia longe, mas imaginava que seria um sucesso dentro da igreja que ele foi criado. Eu sou cristã e frequento a igreja desde o dia que eu nasci. Quando era pequeno, ele dizia: 'Eu vou ser famoso. Todos um dia vão falar de mim'. E olha nós duas aqui falando dele", recorda.

Como superar a perda de um filho que virou ídolo nacional?

Perder Dinho no auge da fama foi uma dor impossível de mensurar. "Estes 30 anos foram facéis para ninguém, porque passar pela perda não é fácil para ninguém, ainda mais quando se perde um filho. O Brasil inteiro também perdeu um filho. Os pais choravam como se eles fossem filhos deles. Na minha casa, recebia fãs de todas as idades, até criancinha que mal falava, ia na minha casa na época da perda ali, logo que aconteceu. Eu acabava chorando junto. A saudade fica para sempre então a gente vai vivendo, com a ajuda de Deus, um dia de cada vez", afirma.

Com apoio dos filhos Marcos Adriano e Grace Kelly, e amparada pela fé, Célia seguiu em frente. Em 2025, lançou o livro Indo Além da Dor, no qual compartilha memórias inéditas e detalhes da trajetória do cantor. "Ele tinha um sonho e alcançou. Mas chegou a hora dele. Todo mundo tem a hora de ir. Dói bastante, machuca, você chora de saudade e as lembranças permanecem. Eu tenho uns troféus, guardo muita coisa dentro de casa, mas continuo firme fazendo meu trabalho dentro da igreja, principalmente, e consegui lançar um livro no qual eu conto as histórias dele".

Confira:

Publicidade
Contigo
Fique por dentro das principais notícias de Entretenimento
Ativar notificações