O décimo dia do julgamento de Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, marcou o início da fase de debates no Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (3). Os dois respondem pela morte do pequeno Henry Borel, assassinado aos quatro anos em março de 2021. A repórter Patrícia Teixeira, do portal LeoDias, acompanhou as sessões.
O promotor Fábio Vieira foi o primeiro a se manifestar e direcionou boa parte de sua sustentação à figura de Monique. Ao analisar o interrogatório da ré, questionou como uma mulher com formação e experiência na área de educação, ela foi professora e diretora de escola, teria deixado de reconhecer sinais de perigo no comportamento do então companheiro.
"Uma pessoa que tem a função de observar comportamentos, por ter sido professora e diretora de escola, vai dizer que um homem que invade sua casa, a enforca, instala um espião no seu telefone e demonstra ciúmes excessivo não representava perigo?", questionou diante dos jurados.
O promotor também destacou que Monique tinha independência financeira e uma rede familiar de apoio, argumentos que, segundo ele, enfraquecem a tese de que ela estaria completamente submissa ao réu. "A cegueira dela não se explica", afirmou.
Fábio Vieira trouxe ainda o depoimento de Débora, ex-companheira de Jairinho, para reforçar que havia histórico anterior de comportamento preocupante por parte do réu. Segundo o promotor, o depoimento indica que Monique tinha ciência do relacionamento de Jairo com outra pessoa quando iniciou o namoro com ele, o que enfraqueceria a versão de que ela desconhecia o perfil do companheiro.
Ao traçar um perfil dos réus, o promotor foi direto: "Tudo indica que ele é um psicopata severo. E Monique tem, sim, traços de narcisismo. Quando deveria zelar, proteger o filho e dizer que errou, ela não assume. Monique ainda tem a capacidade de dizer que era a melhor mãe do mundo".
Entre os episódios citados como sinais ignorados por Monique, Fábio destacou as queixas do próprio Henry sobre um "abraço apertado" dado por Jairinho e um relato da babá sobre o ex-vereador ter se trancado no quarto da criança. "Ela não desconfiou quando a babá contou que Jairinho havia se trancado no quarto da criança? Que mãe considera isso normal?", questionou.
O promotor também lembrou que, na noite do crime, Henry havia pedido ao pai para dormir na casa da avó materna, pedido que Monique não atendeu. "Ela não ouviu o pedido de socorro daquela criança", afirmou.
Postura após a morte também é questionada
A promotora Audrey Alves centrou sua sustentação no comportamento de Monique nos dias que se seguiram à morte do filho. Dois episódios foram especialmente destacados: a suposta necessidade de orientação sobre qual roupa usar para ir à delegacia e demonstrar sofrimento, e a ida a um salão de beleza no dia do enterro de Henry.
"Que mãe precisa ser orientada sobre qual roupa vestir para ir à delegacia e demonstrar sofrimento?", disse. "Que mãe vai ao salão de beleza no dia do enterro da própria criança?", acrescentou.
A defesa de Jairinho adiantou que rebaterá todas as acusações em seu tempo de sustentação. Sobre a classificação do réu como psicopata severo, o advogado Rodrigo Faucz contestou a validade do laudo:
"Eles utilizam essa expressão com base em um laudo de um psiquiatra que a própria juíza mandou expedir ofício ao CRM para apurar a conduta do médico, pois ele não fez nenhuma entrevista com os acusados". A defesa de Monique Medeiros não se pronunciou até o fechamento desta matéria.
Os debates seguem no Tribunal do Júri, onde acusação e defesa apresentam suas versões antes da decisão final dos jurados.