A Pixar já desenha o ponto final da fase de Bonnie em Toy Story 6. O diretor e roteirista Andrew Stanton quer transformar os filmes 4, 5 e 6 em uma nova "trilogia perfeita", agora centrada na menina que herdou os brinquedos de Andy. A equipe pretende acompanhar o amadurecimento da personagem até o momento em que ela também se despede da infância. Ao mesmo tempo, a franquia encara de frente o impacto da era digital no vínculo entre crianças e brinquedos.
Stanton deixa claro que busca um rumo fechado para essa nova etapa da saga e rejeita sequências produzidas apenas por inércia. Desse modo, a proposta mostra a trajetória completa de crescimento de Bonnie, dos primeiros anos com Woody, Buzz e companhia até a fase em que ela já não olha tanto para o baú e passa a viver outro tipo de rotina. Nessa caminhada, os brinquedos lidam com o medo de cair no esquecimento e com um "vilão" bem diferente dos anteriores: a tecnologia.
Como a trilogia de Bonnie em Toy Story 4, 5 e 6 deve funcionar?
A segunda grande fase de Toy Story começa quando Andy, prestes a ir para a faculdade, entrega seus brinquedos para Bonnie no fim do terceiro filme. A partir dali, a franquia acompanha a nova dona e abre espaço para outra leitura da infância. O quarto longa inaugura oficialmente esse arco e o quinto aprofunda a convivência da menina com o grupo, agora em um mundo muito mais conectado.
O plano de Stanton prevê que o público acompanhe as transições de idade da personagem de forma "honesta", do jeitinho que aconteceu com Andy nos três primeiros filmes. Assim, a equipe usa Toy Story 4, 5 e 6 como uma história fechada sobre o crescimento de uma criança, vista pelos brinquedos. Com começo, meio e fim bem definidos. Se antes a dor do adeus aparece na cena de Andy passando seus companheiros adiante. Assim, o fechamento de Bonnie discute o mesmo tema sob o filtro da infância digital. Além disso, os roteiristas exploram nuances modernas, como a influência de redes sociais, jogos on-line e vídeos curtos nas relações da menina.
Futuro de Toy Story: por que Toy Story 5 coloca a tecnologia como vilã?
Em Toy Story 5, a ponte para esse encerramento surge com um conflito bem atual. Bonnie ganha dos pais um tablet inteligente em formato de sapo, batizado de Lilypad, ou "Lily". O aparelho vira o centro das atenções da menina e, pouco a pouco, substitui as brincadeiras físicas por interações virtuais com amigos. Os brinquedos perdem espaço na rotina dela, não por desgaste ou quebra, mas pela presença constante da tela.
Esse cenário abre espaço para uma dinâmica de isolamento que afeta diretamente Woody, Buzz, Jessie e o resto do grupo. Embora com medo de perder o carinho da dona, a vaqueira assume a liderança do quarto e coordena os outros brinquedos. Ela usa um radiotransmissor para chamar Woody, que viaja com Betty e ajuda brinquedos perdidos em diferentes lugares. O xerife retorna imediatamente para apoiar os antigos companheiros e tenta entender como enfrentar esse novo tipo de ameaça. Não há um vilão com rosto, apenas um dispositivo que consome todo o tempo de Bonnie.
O quinto filme também alimenta uma teoria forte entre fãs: ao fim da saga, os brinquedos poderiam ir para os futuros filhos de Andy. Essa hipótese cria um arco circular e liga o garoto de 1995 às novas gerações. Enquanto Stanton foca em encerrar o ciclo de Bonnie em Toy Story 6, parte do público discute essa possibilidade nas redes sociais e enxerga nela um fechamento "poético" para a franquia. Ao mesmo tempo, críticos avaliam se esse retorno para a família de Andy funcionaria como fan service ou como evolução natural da narrativa, e se ainda haveria espaço criativo para novas histórias.
O que Toy Story 5 antecipa para o futuro de Buzz Lightyear?
Dentro desse novo contexto, Buzz Lightyear ganha um papel inédito. Em Toy Story 5, o patrulheiro espacial encontra um esquadrão com 50 bonecos idênticos a ele, todos presos no modo de demonstração. Embora esses modelos mais modernos acreditam de verdade que são heróis espaciais em missão e repetem o conflito de identidade do primeiro filme da série.
Dessa vez, o Buzz veterano não entra em crise. Em vez disso, ele assume a função de mentor e orienta o grupo, explicando que a maior alegria de um brinquedo não está em salvar o universo, mas em ser amado por uma criança. A partir daí, ele se torna uma espécie de líder comunitário dentro do universo dos brinquedos, guia os demais em meio às mudanças do mundo e ajuda a redefinir o que significa "cumprir o próprio papel". Além disso, roteiristas aproveitam essa fase para aprofundar a amizade entre Buzz, Jessie e Woody, destacando diálogos mais maduros sobre propósito, legado e responsabilidade com os mais novos.
O longa ainda faz um movimento importante de bastidor de roteiro e ignora por completo os eventos de Lightyear (2022), que transformava Zurg em uma versão mais velha de Buzz vinda do futuro. O quinto filme resgata a piada clássica de Toy Story 2 e reafirma que Zurg representa, oficialmente, o pai de Buzz. Embora esse retcon recoloca o personagem na mitologia original, reforça o tom de fantasia inocente do baú de brinquedos e prepara o caminho para que ele lidere o grupo nos desafios prometidos para a sexta sequência. Também abre espaço para novas piadas internas, que dialogam com o público antigo sem afastar as crianças que chegam agora à franquia.
Como a Pixar pretende encerrar a jornada de Bonnie no cinema?
Nos bastidores, a produtora Lindsey Collins reforça que o diferencial da franquia sempre envolve acompanhar de forma honesta a realidade das crianças de cada época. Com Andy, a dor aparece na saída de casa para a faculdade e na necessidade de deixar o quarto para trás. Com Bonnie, o conflito passa pela relação com telas, aplicativos e amizades mediadas por dispositivos digitais.
O encerramento da fase da menina, previsto para Toy Story 6, mostra essa transição até o momento em que ela deixa tanto os brinquedos quanto a dependência das telas para trás e busca entender quem deseja ser no mundo real. Com Woody de volta ao grupo e Buzz, o filme tende a explorar o desapego sob vários ângulos: da criança que cresce. E dos brinquedos que perdem espaço e de uma geração inteira que sai da infância analógica para a digital. Além disso, a trama pode incluir saltos de tempo que exibem Bonnie na adolescência e no início da vida adulta.
Ao fechar o arco de Bonnie em uma trilogia própria, Stanton tenta garantir um propósito artístico claro: registrar que, por mais que gerações e tecnologias mudem, o processo de crescer e a dor do adeus permanecem. A dúvida que fica para o público envolve a forma dessa despedida em tela e se a Pixar limita a narrativa ao fim da história de Bonnie. Ou se abre uma nova porta para o futuro de Toy Story depois da sexta aventura.