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Farhadi pode dar ao cinema iraniano a segunda Palma de Ouro consecutiva em Cannes?

Histoires Parallèles (Histórias Paralelas), do iraniano Asghar Farhadi, era um dos filmes mais aguardados da seleção oficial do 79º Festival de Cannes. O longa estreou na quinta-feira (14), mas dividiu a crítica.

15 mai 2026 - 14h18

Adriana Brandão, enviada especial a Cannes

Asghar Farhadi rodou Histoires Parallèles integralmente em Paris e em francês. Aparentemente, o longa não fala de política. O dispositivo lembra Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock. Uma escritora em fim de carreira, interpretada por Isabelle Huppert, espiona os vizinhos do apartamento do outro lado da rua para criar a história de seu último romance. Ao longo da narrativa, ficção e realidade se confundem a tal ponto que os vizinhos acabam vivendo a história imaginada.

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Durante a coletiva de imprensa em Cannes, os jornalistas não podiam fazer perguntas políticas a Asghar Farhadi. O cineasta iraniano explicou que Histórias Paralelas parece francês, mas não é.

"O longa é muito mais persa do que francês. Na aparência, é francês, mas, no fundo, é um filme iraniano. Quanto mais avançamos na história, mais ele se parece com meus filmes anteriores", afirma.

O filme é uma variação do sexto episódio do Dekalog, do cineasta polonês Kieslowski, que hoje é visto como emblemático do fim do regime comunista.

O diretor iraniano Asghar Farhadi em Cannes, nessa quinta-feira 14 de maio de 2026.
O diretor iraniano Asghar Farhadi em Cannes, nessa quinta-feira 14 de maio de 2026.
Foto: RFI

Crítica dividida

A crítica francesa está dividida. O Libération diz que Farhadi espiona todo mundo e ponto final. Para o jornal, o longa é mais sufocante do que vertiginoso. Já o Le Monde diz que a falta de originalidade de Histoires Parallèles indica a necessidade de Farhadi se reinventar.

Já a rádio France Info fala de um filme "profundo". O HuffPost diz que devemos escutar a obra com atenção, destacando que um dos pontos fortes do filme são os efeitos sonoros. A famosa revista de cinema Positif dá três estrelas para Histoires Parallèles, que, na média, recebe nota 6,5/10.

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O multipremiado diretor iraniano poderia vencer sua primeira Palma de Ouro. Esta é a quinta vez que Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars com Uma Separação e O Apartamento, participa da competição oficial. Ele já foi premiado com três filmes, mas nunca recebeu o prêmio máximo de Cannes. Se vencer, será a segunda Palma de Ouro consecutiva para o cinema iraniano, após Jafar Panahi, por Um Simples Acidente, em 2025.

Novos filmes na disputa

O segundo filme japonês na disputa pela Palma de Ouro estreia nesta sexta-feira (15) em Cannes. Ryusuke Hamaguchi volta ao festival com De Repente. O longa, de mais de três horas, rodado na França, mas em japonês, conta a história da amizade entre a diretora de um lar de idosos e uma dramaturga japonesa que luta contra um câncer.

A cineasta austríaca Marie Kreutzer participa pela primeira vez da competição oficial. Ela apresenta Monstro Gentil, uma intriga contemporânea sobre a detenção surpresa de um pai que desestrutura uma família modelo.

Dois filmes fora da competição estarão no centro dos holofotes nesta sexta-feira: John Travolta mostra seu longa de estreia como diretor, Voo Noturno para Los Angeles, e Steven Soderbergh apresenta o aguardado Última Entrevista de John Lennon.

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