O filme "O Agente Secreto" recebeu quatro indicações ao Oscar de 2026, marcando a primeira vez que um ator brasileiro, Wagner Moura, concorre na categoria de Melhor Ator, consolidando o destaque do cinema nacional após a vitória de "Ainda Estou Aqui" em 2025.
Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil entra com tudo no Oscar. Depois do sucesso de Ainda Estou Aqui, foi a vez de O Agente Secreto fazer história e receber quatro indicações na premiação. O longa empatou com Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles.
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Dirigido por Kleber Mendonça, a produção cinematográfica protagonizada por Wagner Moura concorre às categorias de Melhor Ator em Filme (Wagner Moura), Melhor Filme de Língua Não Inglesa, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Fotografia. Embora outras produções brasileiras já tenham sido indicadas ao Oscar, essa é a primeira vez na história que um ator brasileiro concorre à categoria.
O longa se passa na década de 1970, durante o período da Ditadura Militar. Na trama, Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário especialista em tecnologia que vive em São Paulo, decide retornar ao Recife, em Pernambuco. Em meio à fuga de assassinos e ao regime militar, Marcelo tenta se reconectar com a família. A história é marcada por fugas, medo e paranoia política, além da repressão militar.
Essa não é a primeira vez que a temática do regime militar no Brasil é abordada em obras cinematográficas indicadas pela Academia. Além de O Agente Secreto, estão nesse bolo também Ainda Estou Aqui - primeira produção premiada pelo Oscar -, O Que é Isso, Companheiro? e O Beijo da Mulher-Aranha.
Veja algumas das indicações de obras brasileiras
O Pagador de Promessas
O primeiro filme brasileiro a disputar a premiação foi O Pagador de Promessas, estrelado por Leonardo Villar e Glória Menezes, e dirigido por Anselmo Duarte. A edição de 1963 contou com o clássico na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, atualmente chamada de Melhor Filme Internacional.
Na trama, o personagem de Villar, Zé Burro, enfrente preconceito religioso, chuva e sol ao carregar uma cruz de madeira até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para pagar a promessa feita pela cura de seu burro.
Central do Brasil
Em 1999, Fernanda Montenegro foi indicada como Melhor Atriz por sua atuação em Central do Brasil. Essa era a primeira vez que uma mulher brasileira concorria à categoria. Na época, a produção também concorreu como Melhor Filme Estrangeiro, mas os prêmios não vieram. Os concorrentes que levaram as estatuetas foram o filme A Vida É Bela e a atriz Gwyneth Paltrow, respectivamente.
A produção conta a história de Dora (Fernanda Montenegro), uma ex-professora que complementa a renda escrevendo cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil.
Uma de suas clientes acaba morrendo em um acidente de ônibus e deixa um filho para trás. A criança era Josué (Vinícius de Oliveira), que ficou desabrigado e abandonado na estação. Dora, então, percorre um longo caminho para encontrar a família do menino.
Cidade de Deus
O longa foi lançado em agosto de 2002 e se tornou um marco do cinema brasileiro para o mundo e também para os brasileiros. Ele foi indicado em 2004 à Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia.
Dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, o filme conta a vida das pessoas dentro da favela da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
Ainda Estou Aqui
A produção concorreu em três categorias em 2025:Melhor Atriz (Fernanda Torres), Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, levando a estatueta na última. Essa foi a primeira vez que o Brasil venceu na premiação.
Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, o filme narra a história de Eunice Paiva — mãe do autor — e sua luta diante do desaparecimento do marido, o deputado cassado Rubens Paiva, durante a Ditadura Militar no Brasil.
Confira outras produções indicadas ao Oscar
- O Quatrilho - Melhor Filme Internacional em 1996
- O Que É Isso, Companheiro? - Melhor Filme Internacional em 1998
- Uma História de Futebol - Melhor Curta-metragem em Live Action em 2001
- Lixo Extraordinário - Melhor Documentário em 2011
- Sal da Terra - Melhor Documentário em 2015
- O Menino e o Mundo - Melhor Animação em 2016
- Democracia em Vertigem - Melhor Documentário em 2020