NEON: como a distribuidora virou potência no Oscar apostando em filmes de festival

Junto com a A24, a empresa criou um tipo de cinéfilo diferente: o fã de produtoras e distribuidoras O post NEON: como a distribuidora virou potência no Oscar apostando em filmes de festival apareceu primeiro em TMDQA!.

27 mar 2026 - 13h36
Longlegs
Longlegs
Foto: Reprodução / Tenho Mais Discos Que Amigos!

Um novo tipo de mercado está moldando o cinema contemporâneo e ele não nasce de estruturas tradicionais de Hollywood. Nos últimos anos, uma empresa relativamente jovem tem transformado filmes que estariam limitados a certos nichos em grandes protagonistas na temporada de premiações. O grande nome por trás desse movimento é a NEON.

Fundada em 2017, a distribuidora já nasceu com um diferencial importante: a experiência dos seus criadores, Tom Quinn e Tim League. Longe de serem novatos, eles tinham trajetórias consolidadas dentro do cinema independente.

Publicidade

Quinn havia passado por empresas como Magnolia Pictures e Radius-TWC (braço da The Weinstein Company para filmes independentes), enquanto League era o nome por trás da Alamo Drafthouse, rede que ajudou a redefinir a experiência de assistir a um filme como algo coletivo.

Essa bagagem ajuda a explicar por que a NEON não surgiu tentando reinventar o mercado, mas ocupando brechas que já estavam ali.

Curadoria em festivais

Desde o início, a empresa apostou em curadoria e no circuito de festivais como ponto de partida. Nos primeiros anos, a operação ainda seguia um modo mais tradicional, testando caminhos entre prestígio e apelo comercial. Títulos como Eu, Tonya (2017) indicavam esse momento inicial, em que a empresa buscava equilíbrio entre reconhecimento crítico e alcance de público.

O ponto de virada veio com Parasita (2019), de Bong Joon-ho. Ao adquirir o filme após sua vitória no Festival de Cannes, a NEON colocou em prática uma estratégia que já vinha sendo desenhada, mas que ali encontrou sua forma mais precisa. A campanha apostou no marketing boca a boca, transformando a experiência de assistir ao filme em algo coletivo, construindo de um senso de urgência cultural a ser compartilhado.

Publicidade

Quando o longa venceu o Oscar de Melhor Filme no ano seguinte, o feito foi histórico e, ao mesmo tempo, revelador. A NEON havia dominado a arte de posicionar um filme autoral no centro da indústria.

A partir desse momento, a empresa deixou de operar por tentativa e passou a agir com um método cada vez mais claro. O processo começa no garimpo em festivais, com atenção especial a Cannes, e segue com aquisições altamente seletivas. O foco não está na quantidade de lançamentos por ano, mas em filmes com identidade forte e potencial de gerar debates. O diferencial aparece na etapa seguinte: campanhas robustas, pensadas não apenas para divulgar, mas para transformar esses títulos em acontecimentos.

Esse modelo se consolidou com filmes como A Pior Pessoa do Mundo (2021), Triângulo da Tristeza (2022), Anatomia de uma Queda (2023), Longlegs (2024) e Anora (2024). Em comum, todos saíram do circuito de festivais para ocupar espaço relevante na temporada de premiações. Quando não chegavam a ser premiados, extrapolavam o nicho e alcançavam o debate público.

Continua após a imagem

Joachim Trier recebendo o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026
Foto: Reprodução / Tenho Mais Discos Que Amigos!

A comparação com a A24 é inevitável, mas revela diferenças importantes. Enquanto a A24 construiu uma identidade própria como produtora e distribuidora, com uma marca estética reconhecível, a NEON atua como uma curadora estratégica do cinema internacional.

Publicidade

A NEON, para se destacar, focou nesse "mercado de tendências", enquanto a A24 aumentou sua atuação para a produção de títulos próprios. Ambas, porém, consolidaram uma discussão que antigamente não via a luz do sol e criaram um tipo de cinéfilo diferente: o fã de produtoras e distribuidoras.

Oscar 2026: vitória inevitável

Se havia alguma dúvida sobre a força da NEON, a temporada do Oscar de 2026 tratou de encerrar a conversa.

A distribuidora chegou à premiação com múltiplos títulos na corrida, reforçando a capacidade de transformar aquisições de festival em presença sólida na temporada. Entre os principais estavam Valor Sentimental (2025) e O Agente Secreto (2025), dois filmes que rapidamente se colocaram como favoritos na disputa de Melhor Filme Internacional, com ambos indicados também a Melhor Filme e marcando presença em outras categorias importantes.

A situação era curiosa: independentemente do resultado, a NEON sairia vencedora. De um lado, Valor Sentimentalrepresentava uma aposta alinhada ao perfil tradicional do evento, com narrativa metalinguística (que Hollywood adora) e trajetória consistente no circuito de festivais. Do outro, O Agente Secreto carregava uma energia diferente, também com sucesso nos festivais, mas combinando tensão política com a construção de uma campanha mais descontraída, uma aposta em novas caras para o público estadunidense.

A disputa entre os dois acabou funcionando como uma síntese do próprio modelo da empresa. A ideia era ocupar espaço, garantindo que as obras certas estivessem no centro da conversa. Ao emplacar dois dos principais candidatos tanto em Melhor Filme Internacional quanto em Melhor Filme, a NEON demonstrou que sua estratégia não depende de um único acerto isolado, mas de uma leitura consistente do que pode ser relevante.

Publicidade

Continua após a imagem

Esse movimento aponta para uma mudança mais ampla na indústria. Os festivais continuam sendo pontos de partida comerciais, mas, agora, dando mais valor a obras de nicho. O Oscar, por sua vez, se tornou mais permeável ao cinema internacional e a gêneros normalmente deixados para escanteio.

O público, impulsionado por esse fluxo, demonstra estar disposto a acompanhar histórias que antes circulavam em espaços mais restritos, sejam obras em idiomas diferentes, histórias de terror ou estéticas alternativas.

No fim das contas, vimos que a NEON já dominou todo esse processo de busca, aquisição e divulgação. A empresa entendeu como posicionar seus filmes no mercado e, cada vez mais, como fazê-los permanecer em evidência até o último envelope da temporada de premiações ser aberto.

OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! LANÇAMENTOS

Quer ficar por dentro dos principais lançamentos nacionais e internacionais? Siga a Playlist TMDQA! Lançamentos e descubra o que há de melhor do mainstream ao underground; aproveite e siga o TMDQA! no Spotify!

Publicidade

O post NEON: como a distribuidora virou potência no Oscar apostando em filmes de festival apareceu primeiro em TMDQA!.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se