Césio-137: o que é verdade e o que mentira na série 'Emergência Radioativa'

Acidente radiológico em Goiânia é tema de nova minissérie da Netflix

27 mar 2026 - 04h57
Johnny Massaro interpreta o físico Márcio, que descobre a causa do acidente radiológico
Johnny Massaro interpreta o físico Márcio, que descobre a causa do acidente radiológico
Foto: Divulgação

Um acidente sem precedentes chocou o Brasil e o mundo nos anos 1980, quando dezenas de vítimas foram afetadas pela radiação do Césio-137, em Goiânia. A história virou enredo na minissérie Emergência Radioativa, que estreou no dia 18 de março e alcançou o Top 10 em diversos países. 

Dividida em cinco episódios com aproximadamente uma hora de duração, a produção conta com participações de nomes já conhecidos pelo público, como Johnny Massaro e Leandra Leal. A trama se passa em 1987. Logo no início da minissérie, somos apresentados a dois catadores de material reciclável que encontram um objeto de aço em um terreno que pertencia ao Instituto Goiano de Radioterapia, desativado desde 1985. 

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A peça é vendida ao dono de um ferro-velho, que fica encantado ao descobrir que dentro do objeto de aço há uma cápsula com um pó azul brilhante. Ele o leva para casa e acaba distribuindo o pó para os familiares sem saber que, na verdade, se tratava de Césio-137, um poderoso radioativo.

Catadores de material reciclável encontraram objeto de aço com Césio-137
Foto: Divulgação

Antônia (Ana Costa), inspirada em Maria Gabriela, esposa do dono do ferro-velho, é a primeira a desconfiar que o objeto de aço não é o que parece. A partir daí, a produção se desenrola em cima das consequências ocasionadas em razão da disseminação do Césio-137 pela cidade. 

Por ser uma obra ficcional baseada em uma história real, algumas situações são retratadas com mais fidelidade ao acontecimento, enquanto outros elementos são usados para dar sentido ao arco narrativo.

O que é mentira e o que é verdade?

Grande parte dos personagens são baseados nas figuras reais que estiveram envolvidas no acidente do Césio-137. No entanto, todos os nomes da minissérie são fictícios. 

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O arco central da trama conta com Evenildo (Bukassa Bengele), inspirado em Devair Ferreira, dono do ferro-velho; Lúcio (Roberto dos Santos Alves) e Paulo (Wagner Mota Pereira), a dupla baseada nos catadores Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira; Celeste (Mari Lauredo), inspirada em Leide das Neves; Antônia (Ana Costa), baseada em Maria Gabriela Ferreira; e Márcio (Johnny Massaro), inspirado no físico Walter Mendes Ferreira.

A personagem Antônia tem um papel central na trama, já que ela é a primeira a desconfiar de que há algo de errado com o objeto trazido pelo marido, tendo em vista que todos ao seu redor estavam ficando doentes.

Johnny Massaro interpreta o físico Márcio, que descobre a causa do acidente radiológico
Foto: Divulgação

Na vida real, ela foi a responsável por levar a peça à Vigilância Sanitária e, foi graças ao relato dela, que o físico Walter Mendes Ferreira, interpretado por Johnny Massaro na série, passou a desconfiar de que podia se tratar de um acidente radiológico.

O arco narrativo da família do físico é fictício e foi preparado para gerar mais drama na série, já que no dia do aniversário do próprio pai ele vai atender a urgência ocasionada pela disseminação do Césio-137.

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A maioria dos fatos narrados da trama são fiéis ao que ocorreu na história real, incluindo a história de Celeste, inspirada na menina Leide das Neves, que acabou ingerindo, sem querer, o Césio-137. Ela foi uma das vítimas do acidente e era sobrinha do dono do ferro-velho. 

Família de Celeste, inspirada em Leide das Neves; a menina de 6 anos morreu
Foto: Divulgação

A história de Antônia faz jus ao que Maria Gabriela sofreu. Ela também acabou falecendo em razão da contaminação. Além disso, a minissérie retrata que um dos catadores precisou ter o braço amputado por conta da exposição ao pó radioativo e isso também ocorreu com Roberto dos Santos Alves. 

Ao longo da trama, vemos alguns personagens que representam físicos e estudiosos tentando lidar com o acidente radiológico. Esther (Leandra Leal), César (Emílio de Mello), Dr. Benny Davi Orenstein (Paulo Gorgulho) e Dr. Paula Matos (Clarisse Kiste) são inspirados nas dezenas de profissionais que atuaram na resolução dos problemas ocasionados pelo Césio-137 e que impediram que o pó se espalhasse ainda mais.

Outra curiosidade sobre a minissérie é que ela não foi filmada em Goiânia e, sim, na Grande São Paulo, em cidades como Osasco e Santo André. A escolha recebeu diversas críticas de goianos. 

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Fonte: Portal Terra
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