Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

O que aconteceu com o acidente do Césio-137?

Acidente com material radioativo em Goiânia (GO) é tema da nova série 'Emergência Radioativa', da Netflix

20 mar 2026 - 19h52
(atualizado às 20h48)
Compartilhar
Exibir comentários
Equipe hospitalar se prepara para cuidar das vítimas do césio-137
Equipe hospitalar se prepara para cuidar das vítimas do césio-137
Foto: Arquivo/Governo de Goiás

A estreia da minissérie Emergência Radoativa esta semana acendeu a curiosidade do público sobre o acidente ocorrido em Goiânia (GO), em 1987. O ocorrido ficou marcado na história do Brasil, tanto por ter feito dezenas de vítimas, quanto pela gravidade da radioatividade espalhada na cidade.

No dia 13 de setembro de 1987, os catadores de material reciclável Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram um objeto de aço no terreno que pertencia ao Instituto Goiano de Radioterapia, que estava desativado desde 1985. A história é retratada na minissérie da Netflix.

Roberto e Wagner chegaram a sofrer sintomas de contaminação radioativa, mas não entenderam que se tratava da radioatividade do aparelho. Cinco dias depois, o objeto foi vendido ao ferro-velho de Devair Ferreira. 

Local onde o objeto radioativo foi encontrado em Goiânia (GO)
Local onde o objeto radioativo foi encontrado em Goiânia (GO)
Foto: Arquivo/Governo de Goiás

No ferro-velho, Devair abriu uma cápsula dentro da máquina para tentar reaproveitar o chumbo. Foi quando ele encontrou cerca de 19 gramas de um pó azul brilhante. Encantado com o brilho, ele distribuiu o pó aos familiares e amigos, incluindo a sua esposa, Maria Gabriela.

O que eles não sabiam, no entanto, era que a peça encontrada se tratava de um aparelho de radioterapia e que o pó era césio-137, um poderoso radioativo. O acidente foi classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, que vai de 0 a 7.

Contaminação em série

O pó também foi dado a Ivo, irmão de Devair, que distribuiu para sua filha, Leide das Neves, de 6 anos, que chegou a consumir a substância durante uma refeição. Diversas pessoas que passaram pelo ferro-velho tiveram contato com a cápsula e foram contaminadas.

Entre os sintomas estavam náuseas, tonturas, diarreias e vômitos, levando as pessoas a buscarem um hospital e ajuda médica. Maria Gabriela chegou a acionar a Vigilância Sanitária, desconfiada de que a causa poderia ter sido o pó.

Lixo atômico foi descartado em 14 contâineres
Lixo atômico foi descartado em 14 contâineres
Foto: Arquivo/Governo de Goiás

Em uma entrevista com médicos, Maria Gabriela afirmou que os sintomas apareceram depois que o marido desmontou um "aparelho estranho". No dia 23 de outubro, ela e a sobrinha, Leide, faleceram. 

Entre outras vítimas fatais estão Israel dos Santos, de 22 anos, e Admilson de Souza, de 18 anos, ambos funcionáriso do ferro-velho de Devair. Devair chegou a passar por um tratamento de descontaminação e morreu sete anos depois.

Acidente com césio-137 deixou milhares de vítimas
Acidente com césio-137 deixou milhares de vítimas
Foto: Arquivo/Governo de Goiás

 O físico Walter Mendes Ferreira foi o primeiro a desconfiar de que se tratava de um acidente com radiação. Ele identificou altos níveis de radiação, resultando no diagnóstico correto das vítimas. 

A limpeza do césio-137 resultou em 13.500 kg de lixo atômico, descartados em 14 contêineres lacrados que hoje estão armazenados no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás. O local foi criado para armazenar o lixo atômico.

Um monitoramento feito pela Comissão Nacional de Energia Nuclear mostrou que, na época, mais de 290 pessoas apresentaram elevados níveis de radiação. O número real de vítimas nunca foi descoberto, mas muitas delas se organizaram para criar uma associação após o acidente. 

Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade