Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas) acredita que a presença da inteligência artificial em Hollywood deixou de ser uma possibilidade distante. Para o ator vencedor do Oscar de Melhor Ator, trata-se de uma realidade em expansão e que pode, em breve, impactar até a premiação da Academia.
Durante um encontro promovido pela Variety e pela CNN, McConaughey fez um alerta direto a Timothée Chalamet (Marty Supreme), seu colega de elenco em Interstellar: "Não negue. Não vai adiantar ficar à margem dizendo que é errado. Não vai durar. Há dinheiro demais a ser feito e é produtivo demais."
O ator defendeu que atores precisam proteger juridicamente suas vozes e imagens. "Seja dono de si mesmo. Voz, imagem, tudo. Registre. Faça o que for preciso para que ninguém possa roubar você."
Marca registrada
McConaughey fala com conhecimento de causa. Em novembro, ele firmou parceria com a empresa de clonagem de voz por IA ElevenLabs — na qual já havia investido — autorizando o uso de sua voz para gerar versões em diferentes idiomas. Além disso, o ator obteve recentemente oito registros de marca relacionados à sua voz e à sua imagem, numa tentativa de se proteger de usos não autorizados.
Ele exemplificou a situação com um cenário hipotético envolvendo Chalamet: alguém poderia querer projetar digitalmente o ator, como um holograma, em um evento privado interpretando um personagem específico. "Eles podem fazer isso. Mas vão ter que vir até você e pedir permissão. Caso contrário, estarão infringindo."
IA no Oscar?
Para McConaughey, a discussão vai além de contratos e dinheiro. Ele prevê que a inteligência artificial também afetará o prestígio da indústria. "Com certeza vai infiltrar a nossa categoria", afirmou, referindo-se às premiações da Academia. "Será que daqui a cinco anos teremos 'melhor filme de IA'? 'Melhor ator de IA'?"
Segundo ele, a tecnologia evoluirá a ponto de o público não conseguir mais distinguir o que é humano do que é artificial. "Vai ficar tão bom que não saberemos a diferença. A grande questão agora é a realidade. Está mais nebulosa do que nunca — de um jeito empolgante, mas também assustador."
Curiosamente, McConaughey já explorava esse tema antes mesmo de começar a registrar sua imagem. Em Calmaria, thriller lançado em 2019, ele interpretava um personagem que, ao final (spoiler), revela-se parte de uma simulação criada por um jovem designer de videogame.
O filme, que também contou com Anne Hathaway e Diane Lane no elenco, acabou sendo um fracasso de bilheteria e rendeu ao ator uma indicação ao Framboesa de Ouro. Ainda assim, hoje soa quase como um prenúncio das discussões que dominam a indústria.
Para McConaughey, o recado é claro: a inteligência artificial não é mais ficção científica e os artistas precisam se preparar antes que ela "invada sua faixa".
Fonte: EW