Teacake (Joe Keery) e Naomi (Georgina Campbell) são os únicos funcionários de uma unidade de armazenamento no meio do nada nos Estados Unidos. É noite e parece que não há nada para acontecer - ela faz a segurança interna, ele fica na portaria esperando um visitante. O que eles não esperam é que bem ali, naquele lugar, terá início de um novo apocalipse zumbi. Essa é a história de Alerta Apocalipse, que estreou nos cinemas na quinta, 29.
Dirigido por Jonny Campbell, conhecido por comandar episódios de séries como Doctor Who, o longa teve um trabalho de divulgação bem ruim - o trailer parece não se decidir entre um filme de ação, terror e besteirol, enquanto sinopses oficiais sugerem uma comédia escrachada. Nada disso: este filme, surpreendente do começo ao fim, é uma boa história sobre zumbis, reduzida a um espaço considerável. Nada de países inteiros dizimados ou crises planetárias: são apenas duas pessoas comuns tentando dar um jeito de sobreviver.
Além da boa direção de Campbell, que sabe como criar tensão nesse ambiente restrito, Alerta Apocalipse ganha muitos pontos pelo roteiro assinado por David Koepp, roteirista de mão cheia e que assinou histórias como Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, Código Preto e Missão: Impossível. Astuto, ele entende logo de cara que filmes que repetem as mesmas fórmulas de A Noite dos Mortos-Vivos, por exemplo, já não rendem tão bem. É preciso ir para novos horizontes, novas ideias e explorar possibilidades nesse terreno.
Uma boa história
Aqui, duas coisas funcionam bem para além da boa direção e da boa história: o romance que surge entre Teacake e Naomi, que convence pela química dos personagens e pela forma natural em que se aproximam; e, acima de tudo, o papel do governo dentro desse caos todo. Ao contrário de outros filmes, que colocam militares de alta patente envolvidos até o pescoço, Alerta Apocalipse aposta apenas em um agente especial aposentado (Liam Neeson, divertidíssimo), com muita dor nas costas, tentando dar um "jeitinho" nos zumbis.
É David Koepp como não vimos antes. Existe o tom aventuresco típico de suas histórias, mas raramente é perceptível essa acidez no discurso do roteirista - algo visto apenas mais recentemente no inteligente Código Preto. Ou seja: de uma vez só, Alerta Apocalipse injeta frescor nas histórias de zumbis enquanto também conta com uma boa trama. É o combo perfeito para um filme pipoca de verdade, em que parece estar tudo no seu correto lugar.
Pode ser que uma coisa ou outra não funcione, é claro. Por exemplo: há uma pequena história envolvendo uma senhora idosa no antigo bunker que serve apenas para colocar uma arma dentro daquele ambiente. É desperdício de talento, já que a tal senhora é interpretada pela grande Vanessa Redgrave, de Desejo e Reparação, e acaba servindo apenas para esse acontecimento pontual. Mas é um tropeço tão pequeno, tão localizado, que nem sequer dá tempo de ser realmente perceptível. A diversão sai ganhando.
Alerta Apocalipse, assim, é a primeira surpresa do ano - depois da primeira bomba (Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno) e do primeiro grande filme (Extermínio: Templo dos Ossos). Divertido, ousado, criativo. De verdade? Contra todos os prognósticos, dá vontade de assistir mais da história de Teacake, Naomi e do agente especial com dor nas costas.