Escolas de SP e Rio apostam em cultura afro e biografias para Carnaval 2026

Desfiles no Anhembi e na Sapucaí acontecem entre 13 e 17 de fevereiro

11 fev 2026 - 12h39
(atualizado às 13h05)

Símbolos da riqueza cultural do Brasil, os desfiles das escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro vão apostar, em sua maioria, na exaltação da memória, da ancestralidade africana e de grandes personagens que moldaram a história e a cultura do país.

Desfiles no Anhembi e na Sapucaí acontecem entre 13 e 17 de fevereiro
Desfiles no Anhembi e na Sapucaí acontecem entre 13 e 17 de fevereiro
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Na capital paulista, os desfiles acontecem nos dias 13 e 14 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi. Já no Rio, as apresentações estão marcadas para 15, 16 e 17, na Marquês de Sapucaí.

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Em São Paulo, a Mocidade Unida da Mooca aposta no enredo "Gèlèdés - Agbara Obinrin", que exalta o Instituto Geledés, fundado pela filósofa e escritora Sueli Carneiro, e a força das mulheres negras.

A Colorado do Brás, por sua vez, ressignifica figuras historicamente perseguidas que "tinham o saber, mas foram queimadas por ousar existir", com "A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado".

Já a Barroca Zona Sul reverencia a orixá Oxum em "Oro mi maió Oxum", enquanto a Dragões da Real mergulha nos mitos indígenas amazônicos com "Guerreiras Icamiabas", viajando pelo universo dessas mulheres que, segundo as narrativas, viviam às margens do atual Rio Amazonas, em uma comunidade exclusivamente feminina.

A temática indígena também está presente no enredo dos Gaviões da Fiel, que exalta a memória, a resistência e a espiritualidade dos povos originários em "Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã".

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A Império de Casa Verde aborda o empoderamento feminino ao celebrar a história das escravizadas de ganho e de seus balangandãs, símbolos fundamentais da resistência no Brasil.

As biografias também ganham destaque: a Mocidade Alegre homenageia a atriz Léa Garcia em "Malunga Léa - Rapsódia de uma Deusa Negra", exaltando seu pioneirismo e protagonismo negro; a Tom Maior leva à avenida uma carta do médium Chico Xavier, além da história de Uberaba (MG) e suas sete colinas; e a Estrela do Terceiro Milênio celebra o poeta e compositor Paulo César Pinheiro.

Outros enredos abordam temas sociais e culturais, como a reforma agrária, tratada pela Acadêmicos do Tatuapé; a astrologia, tema da atual campeã Rosas de Ouro; a história dos estúdios Vera Cruz, unida a uma homenagem a São Bernardo do Campo (SP), pelo Vai-Vai; além de Exu ? orixá guardião das encruzilhadas, dos caminhos e da comunicação ?, no desfile da Camisa Verde e Branco, e de Amsterdã, na Holanda, pela Águia de Ouro.

No Rio de Janeiro, a tendência se mantém. A Acadêmicos de Niterói apresenta a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em "Do alto do mulungu surge a esperança", desfile criticado pela oposição, que denuncia uma suposta propaganda eleitoral do petista.

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A Imperatriz Leopoldinense celebra a versatilidade artística de Ney Matogrosso, enquanto a Viradouro presta tributo ao Mestre Ciça, referência das baterias cariocas. A Mocidade Independente de Padre Miguel leva à avenida a cantora Rita Lee, que morreu em 2023.

A Unidos da Tijuca homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus, uma das principais vozes da literatura brasileira, enquanto a Vila Isabel aborda a história de Heitor dos Prazeres, pioneiro do samba urbano carioca, conhecido por obras que retratam as vivências do povo negro e das comunidades periféricas do Rio de Janeiro.

O Salgueiro apresenta um enredo sobre a carnavalesca Rosa Magalhães, que morreu em julho de 2024. Já a religiosidade afro-brasileira ganha espaço em propostas como "Bembé do Mercado", da Beija-Flor, que retrata a tradicional celebração afro-baiana, e "Lonã Ifá Lukumí", do Paraíso do Tuiuti, inspirado nas tradições lucumí e na preservação da herança iorubá em Cuba.

A Portela resgata a história do Príncipe Custódio, apontado como principal responsável pela consolidação do batuque, religião de matriz africana do Rio Grande do Sul. Por fim, a Mangueira homenageia Mestre Sacaca, símbolo dos saberes ancestrais da Amazônia negra, e a Grande Rio aborda o manguebeat, movimento cultural surgido em Recife (PE), no início dos anos 1990. .

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