Musk queria "as chaves do reino", diz advogado da OpenAI em julgamento

28 abr 2026 - 16h12

Um julgamento de alto risco sobre o futuro da OpenAI começou nesta ‌terça-feira, com advogados discutindo se Elon Musk estava comprometido em garantir que a inteligência artificial fosse usada para beneficiar a sociedade ou se, em vez disso, via a empresa do Vale do Silício como um veículo para acumular poder para si mesmo.

Musk está processando a OpenAI, seu presidente-executivo, Sam Altman, e seu presidente, Greg Brockman.  O homem mais rico do mundo afirma na ação que a empresa e os dois executivos traíram ele e o público ao abandonarem a missão da companhia de ser uma administradora benevolente da IA para a humanidade. Em vez disso, alega Musk, a OpenAI foi transformada de uma organização sem fins lucrativos em um rolo ⁠compressor em busca de lucros.

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Bill Savitt, advogado da OpenAI e de Altman, disse que foi Musk quem viu sinais de dólares ao ajudar a financiar o crescimento inicial da ‌OpenAI e pressioná-la a se tornar uma empresa com fins lucrativos, uma  companhia que ele poderia eventualmente liderar como presidente-executivo.

Savitt disse que Musk queria "as chaves do reino" e só entrou com uma ação judicial depois que fracassou e, em 2023, abriu sua própria empresa de IA, a xAI.

"O que lhe interessa é que Elon Musk ‌esteja no topo", disse Savitt em seu discurso de abertura. "Estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu ‌o que queria na OpenAI."

O advogado da OpenAI também enquadrou a criação de uma entidade com fins lucrativos pela OpenAI em março de 2019 como ⁠fundamental para permitir que a empresa compre poder de computação e pague os melhores cientistas para se manter competitiva com o laboratório de IA DeepMind, do Google.

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O advogado de Musk, Steven Molo, disse aos jurados em sua declaração de abertura que os réus da OpenAI queriam enriquecer, pois a empresa começou a atrair investidores, incluindo a Microsoft.

"Os réus do caso roubaram uma instituição de caridade e estamos pedindo que vocês os responsabilizem", disse Molo. "(A OpenAI) não era um veículo para as pessoas enriquecerem."

Musk, o fundador da montadora de carros elétricos Tesla e da empresa de foguetes SpaceX, está buscando US$150 bilhões em indenizações da OpenAI e da Microsoft, um dos maiores investidores ‌da empresa, com os recursos sendo destinados ao braço beneficente da OpenAI.

O bilionário também quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos, com Altman e ‌Brockman removidos como diretores e Altman removido de sua ⁠posição no conselho de administração. As alegações ⁠de Musk incluem quebra de confiança e enriquecimento injusto.

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JUÍZA ADVERTE MUSK

Antes de os jurados se sentarem, a juíza distrital dos EUA Yvonne Gonzalez Rogers advertiu Musk depois que os advogados da ⁠OpenAI reclamaram de suas publicações no X na segunda-feira. Nos textos, Musk se referiu a Altman como "Scam ‌Altman" e o acusou de roubar uma instituição de ‌caridade.

Rogers disse que não estava disposta a emitir uma ordem de silêncio, mas pediu a Musk que "tente controlar sua propensão a usar as mídias sociais para fazer as coisas funcionarem fora do tribunal... Talvez você nunca tenha feito isso antes".

Musk concordou em minimizar sua atividade nas mídias sociais, assim como Altman. Ambos devem testemunhar no julgamento, assim como o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella.

O julgamento pode oferecer uma janela para alguns dos egos e personalidades que ⁠moldaram a OpenAI à medida que ela evoluiu de um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos no apartamento de Brockman para uma empresa avaliada em mais de US$850 bilhões.

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Também corre o risco de complicar os planos da OpenAI para uma possível oferta pública inicial de ações, lançando dúvidas sobre sua liderança, e pode intensificar os temores dos norte-americanos sobre a tecnologia de IA de forma mais ampla.

A OpenAI foi co-fundada por Musk e Altman em 2015 com o objetivo de desenvolver a IA para beneficiar a humanidade e afastar rivais como o Google.

ADVOGADOS REBATEM

Molo disse que "Elon ficou mais preocupado" ‌com o avanço da tecnologia e colaborou com Altman para "desenvolver a IA com segurança" depois que uma reunião com o presidente dos EUA, Barack Obama, em 2015, não abordou os riscos da IA. O recrutamento de grandes cientistas de IA, como Ilya Sutskever, foi parte desse processo, disse Molo.

Savitt rebateu que a segurança ⁠da IA não era uma prioridade para Musk, e que Musk denegriu os funcionários da OpenAI que se concentraram nela. "Ele os chamava de idiotas", disse Savitt.

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Musk disse que forneceu cerca de US$38 milhões à OpenAI para sua missão original, apenas para ver a OpenAI criar uma entidade com fins lucrativos 13 meses depois que ele deixou sua diretoria.

Molo disse que um ponto de virada importante para Musk ocorreu quando a Microsoft investiu US$10 bilhões na OpenAI em janeiro de 2023. "Isso violou todos os compromissos que (os réus) assumiram, não apenas com Elon, mas com o mundo", disse ele.

Russell Cohen, advogado da Microsoft, disse que a empresa não fez nada de errado.

"A Microsoft tem sido uma parceira responsável em todas as etapas do processo", disse Cohen em sua declaração inicial.

OPENAI REFORMULADA

A OpenAI enfrenta crescente concorrência de rivais, incluindo a Anthropic, e está investindo bilhões em recursos computacionais. Uma possível IPO pode avaliar a empresa como valendo US$1 trilhão, informou a Reuters.

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A xAI de Musk está muito atrás da OpenAI em termos de uso. O bilionário fundiu a xAI com a SpaceX, cujo possível IPO este ano pode ser o maior de todos os tempos.

No último outono, a OpenAI reformulou sua estrutura novamente para se tornar uma corporação de benefício público, na qual a organização sem fins lucrativos e outros investidores, incluindo a Microsoft, detêm participações. A organização sem fins lucrativos detém uma participação de 26%, além de bônus de subscrição se a OpenAI atingir determinadas metas de valor de mercado.

Uma corporação de benefício público pode tornar a OpenAI mais amigável aos investidores e, ao mesmo tempo, manter suas origens filantrópicas.

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