Uma “guerra civil” entre chimpanzés deixou um saldo de 28 animais mortos em Uganda. O cientista Aaron Sandel divulga imagens em seu perfil nas redes sociais mostrando o comportamento dos primatas, que são seu objeto de estudo. O conflito já dura oito anos.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Há 30 anos, pesquisadores começaram a estudar os chimpanzés de Ngogo, que tinham vidas pacíficas nas florestas de Uganda, na maior parte do tempo. No entanto, em 2015, os animais começaram a se dividir em grupos distintos até se transformarem em inimigos.
Imagens divulgadas nesta semana por agências de notícias e pelo perfil de Sandel mostram o momento em que chimpanzés correm atrás dos outros no meio da floresta para o ataque. No total, foram registradas 28 mortes, de acordo com a agência DW, incluindo 17 filhotes.
"Esses eram chimpanzés que davam as mãos", disse Aaron Sandel. "Agora eles estão tentando se matar”. O grupo é considerado o maior entre chimpanzés selvagens no mundo.
These chimps have been at war for 8 years 😢 pic.twitter.com/mcErliJVe5
— Nature Videos (@naturevideos) April 23, 2026
As hostilidades acabaram criando um conflito sangrento entre chimpanzés, chamando a atenção de especialistas. Os estudiosos acreditam que a origem do conflito pode estar ligada a mudanças na estrutura social do grupo.
Em 2014, cinco chimpanzés morreram, e possivelmente eles eram responsáveis por manter a coesão do grupo. A “guerra civil” entre chimpanzés sugere que algo básico possa ter desencadeado o conflito: as relações sociais.
Comportamento
O estudo publicado na revista Science afirma que a intensidade e a duração da violência podem nos dar informações sobre como os primeiros conflitos humanos se desenvolveram.
Sandel é antropólogo na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e coordena o Projeto Chimpanzé Ngogo. Segundo ele, esses animais são “muito territoriais” e têm “interações hostis com indivíduos de outros grupos”.
"É como um medo de estranhos", disse ele ao podcast Science. Mas, ao longo de várias décadas, Sandel afirmou que os quase 200 chimpanzés de Ngogo viveram em harmonia.
Sandel disse que percebeu a polarização entre eles pela primeira vez em junho de 2015, quando os chimpanzés ocidentais fugiram e foram perseguidos pelo grupo central. "Os chimpanzés são meio melodramáticos", disse, explicando que após discussões normalmente haveria "gritos e perseguições" e depois, mais tarde, eles se limpariam mutuamente e cooperariam.
Mas, após a disputa de 2015, os pesquisadores observaram que houve um período de seis semanas de evitação entre os dois grupos, com as interações tornando-se menos frequentes. Quando ocorreram, Sandel disse que foram "um pouco mais intensas, um pouco mais agressivas".
O que isso diz sobre nós?
O cientista aponta que, se as guerras podem começar entre animais, isso significa que guerras criadas por seres humanos com base em religião, etnia e crenças políticas, podem ter mais influência da dinâmica de relacionamentos do que de questões ideológicas.
James Brooks, pesquisador do Centro Alemão de Primatas, na Alemanha, afirmou que isso serve como um "lembrete do perigo que as divisões de grupo podem representar para as sociedades humanas".
Ao comentar o estudo na revista Science, ele escreveu: "Os humanos devem aprender estudando o comportamento coletivo de outras espécies, tanto em tempos de guerra quanto de paz, lembrando que seu passado evolutivo não determina seu futuro”.
(*Com informações da BBC e da DW)