Hackers chineses podem ser presos nos EUA se viajarem, diz FBI

30 abr 2026 - 17h03

O ecossistema de hackers ‌de aluguel do governo chinês "saiu do controle" e fornece aos criminosos digitais "uma forma de negação plausível", disse uma autoridade sênior do FBI nesta quinta-feira, alertando que hackers chineses podem ser presos quando viajam para fora de seu país de origem.

Os comentários ⁠do diretor assistente do FBI, Brett Leatherman, foram feitos dias depois ‌da extradição do chinês Xu Zewei, 34 anos, da Itália para os EUA sob a alegação de ter participado ‌de campanhas de invasão de computadores generalizadas ‌realizadas em 2020 e 2021 sob a direção do ⁠governo chinês enquanto trabalhava para uma empresa chinesa contratada.

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Xu foi preso em Milão em julho de 2025 e enviado para os EUA depois que uma decisão judicial italiana permitiu a extradição.

A proteção que os hackers chineses recebem "dentro da China não se ‌estende no momento em que você cruza uma fronteira", disse Leatherman.

A ‌Embaixada da China em ⁠Washington não ⁠respondeu a um pedido de comentário.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ⁠da China, Lin Jian, disse ‌em 27 de abril ‌que o governo chinês se opõe ao fato de Washington "fabricar acusações por meio de manipulação política" e pediu ao governo italiano que "evite se tornar cúmplice dos EUA".

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Xu, juntamente com ⁠vários co-conspiradores, hackeou universidades, imunologistas e virologistas sediados nos EUA que realizavam pesquisas sobre vacinas, tratamento e testes da Covid-19, informou o Departamento de Justiça em 27 de abril.

De acordo com o DOJ, Xu e ‌outros relataram a invasão ao Shanghai State Security Bureau do Ministério da Segurança do Estado da China, uma agência de ⁠inteligência do governo chinês. Um funcionário do bureau, então, orientou Xu a visar contas de email específicas pertencentes a virologistas e imunologistas.

Xu e outros também foram responsáveis pela exploração de vulnerabilidades no programa de email Microsoft Exchange Server como parte de uma ampla campanha de ataques, registrada publicamente como "Hafnium", de acordo com o DOJ.

Um funcionário sênior do DOJ disse a jornalistas nesta quinta-feira que a campanha Hafnium incluía escritórios de advocacia como alvo, com os hackers buscando informações sobre parlamentares e agências governamentais dos EUA.

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Advogados listados como representantes de Xu não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

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