Governo ingressa com ação contra Discord com pedido de indenização de R$500 milhões

26 ago 2026 - 17h17
(atualizado às 19h41)
Resumo
A AGU moveu uma ação civil pública contra o Discord, cobrando R$ 500 milhões por danos morais coletivos e adequação às leis de proteção a crianças e adolescentes. O governo exige medidas urgentes, como controle de lives violentas e verificação etária, após o aumento de denúncias e o fracasso em acordos prévios. Em resposta, a plataforma classificou o processo como desproporcional e declarou que segue comprometida em reforçar a segurança e colaborar com as autoridades brasileiras.

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com ‌uma ação civil pública contra a rede social Discord para que a empresa adeque seus mecanismos de segurança na proteção a adolescentes, depois que uma tentativa de acordo não obteve sucesso, informou a AGU nesta quarta-feira. 

Na ação, o governo federal alega que a plataforma não cumpre a ⁠legislação brasileira de proteção a crianças e adolescentes no meio digitail e ‌pede o pagamento de indenização de R$500 milhões por danos morais coletivos, além de multa diária de R$500 mil no caso do Discord ‌continuar descumprindo a lei brasileira.

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"Essa plataforma tem ‌permitido a prática de comportamentos ilegais a partir do que ⁠chamamos de proteção insuficiente a mulher, crianças, adolescente e animais. Por orientação do presidente da República, o governo federal adotou essa medida", disse o advogado-geral da União, Jorge Messias. "Não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais se criem no estado brasileiro."

A ação pede 15 dias para o Discord adotar ‌uma série de medidas que estavam sendo negociadas, segundo a AGU, mas ‌não foram adotadas, como ⁠um protocolo para ⁠detecção e interrupção de lives com conteúdo de violência, notificação de autoridades em casos ⁠de extorsão, mecanismos para verificação ‌de idade além da autodeclaração, ‌entre outros pontos.

No dia 12, a Agência Nacional de Proteção de Dados já havia proibido a plataforma de fazer lives, depois que veio à tona o caso de uma menina de 13 anos ⁠que se mutilou durante uma transmissão ao vivo na plataforma e que terminou se matando. O governo federal iniciou uma negociação com o Discord, mas conversas, no entanto, não avançaram.

A ação, diz a AGU decorre da identificação de uma série ‌de violações feitas pelo Discord e uma falha da empresa em adotar medidas de segurança. As denúncias contra a plataforma vêm aumentando, segundo ⁠o governo, com 520 registros em 2025, quase três vezes o registrado em 3024, e 406 só nos sete primeiros meses de 2026.

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Em nota, o Discord diz que a ação é "desproporcional" e não reflete a abordagem da empresa em relação à segurança e cumprimento da legislação brasileira, e que apresentou uma proposta detalhada para reforçar a segurança, inclusive com investimentos em segurança online.

"Acreditamos que há um caminho melhor e seguimos comprometidos em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que amplie a segurança na plataforma e, ao mesmo tempo, permita que os brasileiros continuem utilizando o Discord", diz o texto.

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