Fenômeno meteorológico El Niño tem 80% de chance de retorno e preocupa especialistas

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) advertiu nesta terça-feira (2) que há 80% de probabilidade de ocorrência de um episódio de El Niño entre junho e agosto, o que aumenta o risco de fenômenos meteorológicos extremos nos próximos meses.

2 jun 2026 - 10h36

Em sua atualização mais recente, a OMM prevê um "episódio ao menos moderado, e até forte", do fenômeno climático de consequências planetárias.

Cientistas alertam para poderoso El Niño em 2026, que pode prejudicar o meio ambiente, como na imagem de arquivo, que mostra peixes nadando entre corais da ilha Koh Tao, no sul da Tailândia, em junho de 2024.
Cientistas alertam para poderoso El Niño em 2026, que pode prejudicar o meio ambiente, como na imagem de arquivo, que mostra peixes nadando entre corais da ilha Koh Tao, no sul da Tailândia, em junho de 2024.
Foto: AFP - LILLIAN SUWANRUMPHA / RFI

"Há 80% de probabilidade de que se instaure um episódio de El Niño entre junho e agosto de 2026", afirma o comunicado da OMM.

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A nota avalia que "as probabilidades de que o episódio prossiga pelo menos até novembro são próximas ou superam 90%".

Os cientistas denominam como El Niño, e sua fase oposta La Niña, uma variação natural do clima que provoca uma mudança acentuada da temperatura das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O fenômeno modifica a circulação atmosférica mundial e pode provocar situações extremas em um grande número de regiões.

Entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar na parte centro-leste do Pacífico equatorial se aproximou dos limiares que caracterizam o fenômeno. A situação foi alimentada por temperaturas "excepcionalmente elevadas", que superaram em mais de 6ºC as médias sazonais, destaca a OMM.

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"Temos que nos preparar para um episódio de El Niño potencialmente forte, que vai agravar as secas, aumentar as chuvas intensas e agravar o risco de ondas de calor tanto em terra como nos oceanos", alertou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, citada no comunicado.

O El Niño acontece a cada dois a sete anos e tem duração de nove a 12 meses. Sua última ocorrência, em 2023 e 2024, transformou estes anos nos dois mais quentes já registrados. O fenômeno cíclico afeta, por efeito dominó, o clima mundial durante vários meses.

Alerta climático urgente

Para o período junho-julho-agosto, a OMM prevê um conjunto de condições que favorecem "um predomínio de temperaturas acima do normal em quase todas as regiões do planeta", com um risco adicional de estresse térmico, seca severa em algumas regiões e fenômenos extremos, como inundações.

A organização lembrou que os centros de previsão regionais indicam precipitações "abaixo do normal" durante a temporada de chuvas de junho a setembro na região do Chifre da África, uma monção menos abundante que a média no sul da Ásia e condições mais quentes e mais secas na América Central.

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Durante o verão no hemisfério norte, as águas quentes vinculadas ao El Niño também podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e leste, ao mesmo tempo que limitam seu desenvolvimento no Atlântico, acrescentou a OMM.

"O mundo deve tratar este evento pelo que é: um alerta climático urgente", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em um video.

"As condições associadas ao episódio de El Niño vão jogar mais lenha na fogueira de um planeta em aquecimento. As consequências serão sentidas com uma intensidade ainda maior e seu alcance será ainda mais amplo, cruzando fronteiras a uma velocidade devastadora", acrescentou.

Guterres voltou a pedir o "fim da dependência dos combustíveis fósseis".

Com AFP

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