Em 1967, Canadá construiu casas futuristas como peças de Lego: meio século depois, ainda não sabem como consertá-las

Apesar de todos os problemas, projeto continua a exercer enorme influência sobre arquitetos e urbanistas

30 mai 2026 - 09h39
Imagem | Parcours riverain - Ville de Montréal, Thomas Ledl, Vassgergely
Imagem | Parcours riverain - Ville de Montréal, Thomas Ledl, Vassgergely
Foto: Imagem | Parcours riverain - Ville de Montréal, Thomas Ledl, Vassgergely / Xataka

Quando Moshe Safdie projetou o Habitat 67 enquanto estudante de arquitetura, teve uma ideia revolucionária: usou milhares de peças de Lego para testar como os módulos habitacionais se encaixariam em três dimensões. Décadas depois, o próprio arquiteto ainda se lembrava de esvaziar lojas inteiras de Lego em Montreal para construir as maquetes. E talvez tenha criado um problema.

Reinventando a habitação como Lego

No início da década de 1960, as cidades ocidentais estavam presas entre dois modelos aparentemente inevitáveis: enormes blocos de apartamentos impessoais ou subúrbios intermináveis e dependentes de automóveis. Um jovem estudante de arquitetura chamado Moshe Safdie acreditava que havia uma terceira via.

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Sua ideia era aparentemente simples e radical ao mesmo tempo: construir casas pré-fabricadas empilhando módulos de concreto como peças gigantes de Lego, para que cada família pudesse ter luz, um terraço, áreas verdes e a sensação de um lar individual dentro de uma grande estrutura urbana. O projeto acabou se tornando o Habitat 67, o grande ícone futurista da Expo Montreal. O que o Canadá apresentou ao mundo como o futuro definitivo das cidades acabou se tornando uma das obras arquitetônicas mais fascinantes e problemáticas do século XX.

Habitat 67 era utopia

A imagem do edifício ainda parece futurista mesmo hoje: 354 enormes módulos pré-fabricados de concreto, cada um pesando cerca de 90 toneladas, empilhados em formas irregulares em uma península artificial de frente para o...

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