Nos anos 1950, o otimismo com a energia atômica e a ingenuidade sobre os perigos da radiação motivaram projetos audaciosos que pretendiam mover tudo a base de urânio. Engenheiros chegaram a idealizar veículos nucleares, como o Ford Nucleon de 1958, um carro-conceito com reator próprio que teria o núcleo substituído em postos de serviço. Contudo, essas ideias mirabolantes nunca passaram de protótipos, e o uso prático da tecnologia acabou restrito a usinas e a embarcações de grande porte.
Nos anos 1950, parecia que a humanidade estava às portas de uma nova revolução industrial. A energia atômica deixaria para trás o carvão, o petróleo e o vapor que herdamos da primeira revolução. Nem tudo eram flores, é claro, mas a ingenuidade da época e o pouco que se sabia sobre os perigos da radiação deram origem a projetos tão ambiciosos quanto disparatados. Nenhum deles passou da fase de protótipo.
Hoje, a energia nuclear produz eletricidade no mundo inteiro e movimenta submarinos, porta-aviões e quebra-gelos. Naquela época, porém, chegou-se a pensar que o átomo poderia mover absolutamente tudo.
O princípio é simples. Quando o núcleo de um átomo pesado, como o urânio ou o plutônio, se divide, libera uma enorme quantidade de energia na forma de radiação e calor. Se essa reação em cadeia sair do controle, temos uma bomba. Se for controlada, temos um reator que aquece a água até transformá-la em vapor e movimenta uma turbina, como em qualquer usina nuclear. Com essa ideia em mente, engenheiros de automóveis, aviões e naves espaciais começaram a sonhar.
Em 1958, a Ford apresentou o Nucleon, um carro-conceito movido por um pequeno reator instalado entre as rodas traseiras. O reator produziria vapor para movimentar turbinas, e a cabine ficava bem à frente para manter os ocupantes afastados do núcleo. A marca sonhava com postos de serviço onde o núcleo seria trocado a cada 8.000 quilômetros, como quem troca um filtro. O Nucleon nunca passou de uma maquete em escala 3/8, que ...
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