Os rios do mundo são muito mais do que peixes e algas. Frequentemente, também encontramos quantidades mais ou menos diluídas de produtos químicos, incluindo pesticidas, produtos farmacêuticos e drogas ilícitas. Uma equipe do King's College confirmou isso há alguns anos quando, após coletar amostras em vários locais em Suffolk, na Inglaterra, encontrou vestígios de cocaína e cetamina. Os pesquisadores já sabiam há tempos que a vida selvagem está exposta a esses compostos, mas uma pergunta permanecia: como as drogas os afetam em seu ambiente natural?
Para descobrir, dezenas de salmões foram drogados na Suécia.
Salmões drogados?
Parece estranho, mas foi exatamente o que um grupo de cientistas da Universidade Griffith, da Sociedade Zoológica de Londres e do Instituto Max Planck, entre outras organizações, fez. Eles basicamente pegaram 105 salmões (Salmo salar) de uma piscicultura, dividiram-nos em vários grupos e implantaram dispositivos que liberavam drogas em seus corpos. Depois, os soltaram. Mais ou menos como no famoso caso do Urso da Cocaína, mas de forma planejada.
Como eles fizeram isso?
Trinta e cinco desses salmões receberam implantes de um dispositivo especial que liberava cocaína lentamente em seus corpos. Outros receberam um sistema semelhante, modificado para administrar benzoilecgonina, o principal metabólito da cocaína. O terceiro grupo não recebeu nenhuma substância, servindo como controle. Após o preparo, os salmões, todos juvenis, foram soltos no Lago Vättern, no sul...
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