Seca pode agravar escassez de alimentos na Coreia do Norte

30 abr 2026 - 09h50

País intensifica esforços para proteger plantações. Mudanças climáticas e calor extremo ameaçam produção agrícola, que costuma ficar aquém das necessidades da população.A imprensa estatal da Coreia do Norte alertou que o país atravessa uma seca excepcionalmente severa que ameaça as plantações na nação diplomaticamente isolada, que já enfrenta uma insegurança alimentar crônica.

Coreia do Norte há anos enfrenta crises de escassez de alimentos
Coreia do Norte há anos enfrenta crises de escassez de alimentos
Foto: DW / Deutsche Welle

Pyongyang está intensificando esforços em todo o país para proteger as plantações antes da temporada de plantio de arroz, informou a agência de notícias estatal KCNA nesta quinta-feira (30/04). "Uma seca incomum persiste em grande parte do país, um fenômeno raramente visto em anos anteriores", relatou o órgão de imprensa.

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Agências governamentais mobilizam funcionários para enviar suprimentos agrícolas, garantir água para irrigação e instalar bombas e outros equipamentos para limitar os danos às plantações de trigo e cevada do início da safra.

Há anos a Coreia do Norte enfrenta uma enfrenta escassez de alimentos, como as crises de fome nos anos 1990, agravada pelas sanções internacionais, fechamento de fronteiras, insumos agrícolas limitados e choques climáticos.

Agências da ONU afirmam que a produção agrícola costuma ficar aquém das necessidades da população, com milhões de pessoas subnutridas e vulneráveis a desastres como secas e inundações.

Desastres naturais tendem a ter um impacto desproporcional no país, isolado diplomaticamente devido à sua infraestrutura e economia frágeis. Elizabeth Salmon, relatora especial da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, afirmou em fevereiro que a escassez de alimentos já era uma grande preocupação.

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Ondas de calor mais frequentes e intensas

A Coreia do Sul também sofreu uma seca prolongada no ano passado, que atingiu a cidade costeira de Gangneung, no leste do país. O fenômeno obrigou as autoridades a implementar restrições de água, incluindo o desligamento de 75% dos medidores residenciais em toda a cidade.

O país registrou seu verão mais quente da história no ano passado. As duas Coreias também registraram temperaturas recorde para o mês de junho.

As mudanças climáticastornam as ondas de calor mais frequentes e intensas, e especialistas dizem que o fenômeno climático El Niño provavelmente retornará este ano, trazendo calor, seca e chuvas fortes para diferentes partes da Ásia.

Segundo a KCNA, o primeiro-ministro norte-coreano Pak Thae Song inspecionou fazendas nas províncias de Pyongan do Sul e Hwanghae do Norte e pediu aos funcionários que façam uso total das fontes de água, fortaleçam os sistemas de irrigação e aumentem a mecanização no plantio de arroz.

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A imprensa estatal destacou que líder norte-coreano, Kim Jong-un, já havia alertado em 2024 que o fracasso em fornecer à população as necessidades básicas de vida, incluindo alimentos, era uma "questão política grave".

rc/cn (AFP, Reuters)

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