Um mapeamento a laser realizado por cientistas da Universidade de Helsinki e da UFAC revelou cerca de 400 estruturas humanas ocultas sob a floresta amazônica. A descoberta em uma área de 4.500 km² aponta que a ocupação pré-colombiana foi cinco vezes subestimada e cobriu apenas 0,7% do território Aquiry, que pode conter até 30 mil construções. Os dados transformam a visão arqueológica sobre as civilizações antigas da região, corroborando relatos históricos de grandes povoados.
Em 24 de junho de 1542, em algum ponto do "rio Grande", o frei Gaspar de Carvajal registrou que a expedição de Orellana havia sido atacada por um grupo de mulheres guerreiras de uma ferocidade nunca vista. Aquelas frases acabaram dando nome à Amazônia.
Antes e depois das mulheres guerreiras, Carvajal havia falado de povoados enormes e senhores com milhares de soldados, cerâmicas de luxo e redes de caminhos que percorriam toda a floresta... mas aquelas amazonas eram tão improváveis aos olhos de seus conterrâneos que todo o resto foi descartado.
Não é de estranhar que, quando a revista Nature publicou o maior levantamento com LiDAR já realizado na Amazônia sudoeste, manchetes de meio mundo tenham dito que o frade dominicano estava certo.
O problema é que não exatamente assim.
Vamos começar pelo que é mais recente. Uma equipe da Universidade de Helsinki e da Universidade Federal do Acre sobrevoou o Amazonas e escaneou cerca de 4.500 km² de floresta fechada. O que descobriram é que os estudos anteriores haviam subestimado as estruturas humanas por um fator de cinco. Naquele trecho de floresta havia quase 400 estruturas completamente desconhecidas e isso, para contextualizar o dado, representa apenas 0,7% da área da civilização que estavam estudando.
Se extrapolarmos para o restante do território Aquiry, chegaremos a cerca de 30 mil estruturas. Na falta de confirmação, é uma mudança radical de perspectiva.
Sobretudo porque todas essas estruturas precisam ser construídas. Os autores...
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