Imagine que você venda livros antigos, raros ou difíceis de encontrar e, de repente, comecem a chegar pedidos muito maiores do que o habitual. À primeira vista, isso parece motivo de otimismo: alguém quer esses exemplares e está disposto a comprá-los em quantidades que, até pouco tempo atrás, eram inéditas. Foi exatamente isso que vários livreiros começaram a notar no último ano.
No entanto, havia algo estranho nessa demanda: os pedidos combinavam títulos aparentemente sem relação entre si, atingiam volumes enormes e os compradores pareciam praticamente indiferentes ao preço. Esse desdobramento positivo levantou uma questão muito mais intrigante: quem estava comprando tudo isso?
As suspeitas acabaram recaindo sobre um tipo de comprador muito diferente do leitor tradicional: empresas de inteligência artificial em busca de novos textos para treinar seus modelos. Em julho, um desses vendedores recebeu um pedido de cerca de 1.000 livros por meio da plataforma Biblio, mas o sistema do marketplace impossibilitava a identificação do comprador.
O site 404 Media propôs uma maneira muito mais direta de descobrir: forneceram ao livreiro um Apple AirTag, que ele escondeu dentro de um dos volumes antes de despachar a carga. A partir daí, bastava rastrear o trajeto.
Livros e um AirTag a caminho de Las Vegas
O rastreador começou a traçar uma rota que percorria milhares de quilômetros pelos Estados Unidos. A remessa partiu de um aeroporto na Califórnia e reapareceu perto do Aeroporto ...
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