Em ensaio de 1930, Carl Jung defendeu que o envelhecimento impõe um processo implacável de restrição da própria vida, ideia comparada ao declínio do sol. Embora a psicologia posterior tenha confirmado que as relações sociais tendem a encolher com o passar dos anos, a ciência corrigiu a intuição junguiana no ponto central: esse estreitamento não decorre diretamente do avanço da idade biológica em si, mas da percepção subjetiva sobre a quantidade de tempo que a pessoa acredita que ainda lhe resta.
Há muito tempo, circula uma frase de Carl Gustav Jung sobre a velhice que insiste em reaparecer: a de que quem envelhece deveria saber que sua vida já não cresce nem se expande, que existe "um processo interno e implacável que força a restrição da vida".
Soa como algo que estamparia uma caneca de café da manhã (se os fabricantes de canecas tivessem certa aversão à terceira idade) ou como uma daquelas frases falsas de autoajuda que circulam atribuídas a nomes ilustres. Mas não. Desta vez, é dele mesmo.
Paradoxalmente, o fato de ser de Jung não garante nada. Por mais carinho que tenhamos pelo velho suíço, é um fato que ele foi, em quase todos os aspectos, um charlatão dotado de uma intuição prodigiosa — mas, ainda assim, um charlatão. Um erudito do esoterismo cujas teorias emitem promessas que as evidências empíricas raramente conseguem sustentar.
E este é um bom exemplo de suas limitações: durante décadas, a psicologia retornou obsessivamente a essa ideia (a de que, com o passar dos anos, a vida social se encolhe) e acabou dando razão a ele em tudo, exceto no que realmente importa: não é a idade que estreita a vida, mas sim o tempo que acreditamos que ainda nos resta.
O que Jung disse exatamente?
A frase vem de Die Lebenswende, um ensaio que Jung apresentou em 1930 e que, após uma revisão minuciosa, foi publicado em Seelenprobleme der Gegenwart, em 1931. Ele tinha 54 anos e, há tempos, uma imagem o obsedava: a de que a vida seria como o arco que o sol descreve no firmamento.
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