Nasa revela nova representação da Terra baseada em 1 bilhão de medições feitas por satélites ao longo de 15 anos

Modelo mostra o geoide do planeta, que representa o comportamento do campo gravitacional da Terra e não seu formato físico

26 jul 2026 - 09h34
(atualizado às 09h37)
Nasa divulgou imagem da Terra como geóide
Nasa divulgou imagem da Terra como geóide
Foto: Reprodução/Nasa

A Nasa divulgou uma nova representação tridimensional da Terra que revela como o campo gravitacional do planeta varia de acordo com a distribuição de sua massa. A imagem, que chamou atenção pelo formato irregular, não retrata a aparência real da Terra, mas sim o chamado geoide, um modelo científico construído a partir de mais de 1 bilhão de observações feitas por 19 satélites ao longo de 15 anos.

O geoide representa a superfície que os oceanos teriam caso a água permanecesse completamente imóvel, sem influência de marés, ventos ou correntes marítimas. Nesse modelo, o que determina a forma da Terra é a distribuição de massas em seu interior, como rochas, magma e água subterrânea.

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Para tornar essas diferenças perceptíveis, a imagem amplia as variações verticais entre 7 mil e 10 mil vezes. Na prática, ela destaca pequenas alterações na força da gravidade ao redor do planeta.

"Como a distribuição dos materiais nas profundezas da Terra varia, seu campo gravitacional tem colinas e vales", explicou Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em estudo publicado sobre o tema.

No mapa, regiões com maior concentração de massa, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, aparecem em tons avermelhados por exercerem maior atração gravitacional. Já áreas de menor densidade, como partes do Oceano Índico e da bacia do Rio Congo, são representadas em azul.

Nasa revela nova representação da Terra baseada em 1 bilhão de medições feitas por satélites ao longo de 15 anos
Foto: Divulgação/NASA

A representação foi produzida com o modelo global GOCO06, que reúne dados das missões GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e GRACE, desenvolvida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão.

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Segundo Watkins, o campo gravitacional terrestre não é estático e sofre alterações constantes, principalmente por causa do deslocamento da água na superfície do planeta.

"O campo gravitacional da Terra muda de mês para mês, principalmente devido à massa da água se movendo sobre a superfície", afirmou o pesquisador.

A missão GRACE utilizou dois satélites que voavam separados por cerca de 220 quilômetros para detectar variações extremamente pequenas na gravidade, permitindo acompanhar mudanças provocadas por chuvas, geleiras, águas subterrâneas e oceanos.

O levantamento também mostrou que o geoide apresenta diferenças de altitude em relação ao nível médio do mar que variam de aproximadamente 85 metros acima, na região da Islândia, a 106 metros abaixo, no sul da Índia.

Além de ajudar a compreender a estrutura interna da Terra, esse tipo de mapeamento é utilizado para monitorar o ciclo da água, estimar reservas subterrâneas, acompanhar o derretimento de geleiras e medir com mais precisão a elevação do nível dos oceanos ao longo do tempo.

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Fonte: Portal Terra
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