Em busca do "botão de Deus": o que acontece com o nosso cérebro quando rezamos ou meditamos, segundo a neurociência

A neurociência quer entender o que acontece quando exploramos nossa espiritualidade

17 mar 2026 - 13h21
(atualizado às 13h57)
Foto: Xataka

Joana d'Arc ouvia vozes divinas que guiavam seus passos na batalha. Santa Teresa de Jesus descrevia êxtases místicos que a deixavam paralisada. Durante séculos, essas experiências foram enquadradas exclusivamente no campo da fé e do dogma, mas a ciência moderna decidiu se debruçar sobre o abismo do misticismo com uma ferramenta muito mais terrena: os escâneres cerebrais.

Essa área da ciência se chama neuroteologia e é uma disciplina que está começando a emergir, embora não esteja livre de polêmica. Seu objetivo não é propriamente provar a existência de Deus, mas decifrar os circuitos neurais que se ativam quando os seres humanos tentam se comunicar com ele.

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Em seu livro recente Las neuronas de Dios ("Os neurônios de Deus"), o biólogo e pesquisador Diego Golombek apresenta uma hipótese fascinante para as experiências mais místicas. Ela aponta que muitas das visões e vivências espirituais extremas documentadas por figuras que entraram para a história podem estar estreitamente ligadas a fenômenos neurológicos como a epilepsia do lobo temporal.

Segundo Golombek, essas tempestades elétricas no cérebro ativam regiões ligadas a emoções intensas e percepções alteradas, criando uma experiência que o indivíduo interpreta como um contato direto com a divindade. A questão, porém, é se existe um "botão de Deus" no cérebro ou uma área que se ativa quando nos concentramos em nossa espiritualidade. A resposta curta é que não.

O que se sabia

Durante anos especulou-se sobre a existência de um ...

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