Joana d'Arc ouvia vozes divinas que guiavam seus passos na batalha. Santa Teresa de Jesus descrevia êxtases místicos que a deixavam paralisada. Durante séculos, essas experiências foram enquadradas exclusivamente no campo da fé e do dogma, mas a ciência moderna decidiu se debruçar sobre o abismo do misticismo com uma ferramenta muito mais terrena: os escâneres cerebrais.
Essa área da ciência se chama neuroteologia e é uma disciplina que está começando a emergir, embora não esteja livre de polêmica. Seu objetivo não é propriamente provar a existência de Deus, mas decifrar os circuitos neurais que se ativam quando os seres humanos tentam se comunicar com ele.
Em seu livro recente Las neuronas de Dios ("Os neurônios de Deus"), o biólogo e pesquisador Diego Golombek apresenta uma hipótese fascinante para as experiências mais místicas. Ela aponta que muitas das visões e vivências espirituais extremas documentadas por figuras que entraram para a história podem estar estreitamente ligadas a fenômenos neurológicos como a epilepsia do lobo temporal.
Segundo Golombek, essas tempestades elétricas no cérebro ativam regiões ligadas a emoções intensas e percepções alteradas, criando uma experiência que o indivíduo interpreta como um contato direto com a divindade. A questão, porém, é se existe um "botão de Deus" no cérebro ou uma área que se ativa quando nos concentramos em nossa espiritualidade. A resposta curta é que não.
O que se sabia
Durante anos especulou-se sobre a existência de um ...
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