Cientistas da University of Texas at Austin identificaram evidências de que o ancestral de toda a vida complexa já sabia usar oxigênio. A descoberta ajuda a resolver um antigo mistério: como organismos dependentes de oxigênio se uniram a micróbios supostamente adaptados a ambientes sem esse gás.
O estudo, publicado na Nature (link no primeiro parágrafo), analisou microrganismos chamados arqueias de Asgard — considerados os parentes mais próximos das primeiras células complexas (eucariontes). Embora muitas vivam em ambientes pobres em oxigênio, algumas linhagens, especialmente as Heimdallarchaeia, mostram vias metabólicas capazes de utilizar oxigênio para gerar energia.
A descoberta se encaixa no contexto do Grande Evento de Oxigenação, ocorrido há mais de 1,7 bilhão de anos, quando os níveis de oxigênio na atmosfera aumentaram drasticamente. Pouco depois, surgem os primeiros fósseis de eucariontes.
Os pesquisadores sequenciaram mais de 13 mil genomas microbianos e usaram o sistema de IA AlphaFold2 para prever a estrutura de proteínas ligadas ao metabolismo energético. As semelhanças estruturais reforçam a hipótese de que o ancestral comum já era adaptado ao oxigênio — passo crucial para o surgimento de plantas, animais e fungos.
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