Desde o início da invasão russa, a Ucrânia teve de travar uma batalha paralela longe da linha de frente: a de convencer seus aliados de quais armas precisava, quando e até onde essas ajudas poderiam ir sem cruzar linhas políticas sensíveis. Entre atrasos, vetos parciais e temores de escalada, a defesa aérea se tornou, durante meses, um dos gargalos mais críticos, deixando Kiev exposta a campanhas de mísseis e drones enquanto a resposta internacional avançava mais lentamente do que a guerra.
Por isso, a chegada à Ucrânia do radar espanhol Lanza LTR-25 representa um salto qualitativo em sua defesa aérea. Com ele, o país incorpora uma capacidade de detecção de longo alcance capaz de identificar ameaças a mais de 450 quilômetros. De drones e mísseis de cruzeiro a sistemas balísticos e aeronaves furtivas, o radar ajudará em um conflito no qual a Rússia fez do ataque aéreo massivo e combinado um de seus principais instrumentos de desgaste.
O sistema, desenvolvido pela Indra, não é um protótipo nem uma promessa futura, mas uma tecnologia já validada pela OTAN em seu flanco oriental, projetada para operar em ambientes saturados de interferências e guerra eletrônica e para se integrar sem atritos às baterias ocidentais que protegem o céu ucraniano.
O aliado inesperado
Outra leitura que se pode fazer desse movimento é clara. A Ucrânia acaba de receber da Espanha aquilo que vinha há meses pedindo aos EUA: uma verdadeira defesa de longo alcance que permita enxergar a chegada dos ataques ...
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