As pessoas gostam de se sentir confortáveis. Essa é uma verdade universal. E se existe algo confortável e aconchegante neste mundo — pelo menos para os nossos cérebros — é apegar-se a um bom clichê. Ele não apenas nos poupa o trabalho de pensar demais, mas também cria uma espécie de almofada intelectual macia onde podemos nos acomodar.
"Os clichês revelam quem somos porque são sintomas de crenças comuns", argumenta o filósofo Aurelio Arteta (Sangüesa, 1945), professor da Universidade do País Basco (UPV). Anos atrás, em um de seus ensaios, ele analisou uma das verdades feitas mais arraigadas e aparentemente inquestionáveis de nossa sociedade: será que todas as opiniões realmente merecem o mesmo respeito?
Isso nos leva a outras perguntas igualmente importantes: o que significa "respeitar uma opinião"? Somos intolerantes se questionamos uma delas? E o que merece respeito: a ideia em si ou a pessoa por trás dela?
"Confrontá-las, não apenas justapô-las"
"Vamos pegar o [clichê] de que todas as opiniões merecem respeito. Se isso fosse verdade, não precisaríamos defender nossas próprias opiniões nem ousar questionar as dos outros. Todas teriam o mesmo valor — o que, no fim das contas, significa que nenhuma delas vale nada".
"O grau de verdade em cada uma não importaria, pois a única coisa que conta é o direito de expressar opiniões sem qualquer contestação", argumentou ele em uma entrevista de 2012 ao jornal El Español, após a publicação de seu livro Tantos tontos tópicos (Tantos ...
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