Durante muito tempo, a narrativa evolutiva nos contou uma história de superioridade na qual o Homo sapiens sobreviveu porque era mais inteligente, mais adaptável e, sobretudo, porque era capaz de planejar a longo prazo. Ao lado dele ficavam os neandertais, vistos como um grupo de caçadores oportunistas que viviam um dia de cada vez, sem planejar nada. Mas a ciência vem há anos insistindo em reescrever essa história.
O caso espanhol
Há 115 mil anos, muito antes de a nossa espécie pisar na Península Ibérica, os neandertais já habitavam a Cueva de los Aviones, em Cartagena, e inclusive coletavam mariscos para se alimentar. Mas não faziam isso de qualquer maneira nem em qualquer momento, e sim com um calendário de coleta perfeitamente desenhado.
Essa é a conclusão a que chegou uma equipe da qual participaram a Universidade de Burgos e o Instituto Internacional de Investigações Pré-Históricas da Cantábria, sem necessidade de máquina do tempo, mas "apenas" com uma análise de isótopos de oxigênio.
Como eles fizeram isso
Aqui, os pesquisadores analisaram os restos de conchas de duas espécies muito específicas, como o Phorcus turbinatus, conhecido popularmente como caracolinho, e a Patella ferruginea. O interessante nelas é que, à medida que os moluscos crescem, o carbonato de suas conchas prende isótopos de oxigênio cuja proporção varia dependendo da temperatura da água do mar naquele momento exato.
Ao analisar essas camadas, os cientistas encontraram um verdadeiro "termômetro ...
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