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Livro sobre filantropia negra destaca iniciativas de impacto pelo Brasil

Obra fortalece a trajetória de instituições filantrópicas que ampliaram suas práticas nos territórios a partir de investimento de fundo criado por mulheres negras

28 set 2023 - 15h34
(atualizado às 18h42)
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Aline Odara e Fabiana Aguiar, duas mulheres negras e fundadoras do Fundo Agbara.
Aline Odara e Fabiana Aguiar, duas mulheres negras e fundadoras do Fundo Agbara.
Foto: Divulgação / Alma Preta

O Fundo Agbara, primeiro fundo filantrópico voltado a mulheres negras na América Latina, em parceria com a Rede Comuá, Rede de Filantropia e Justiça Social, lança o livro online "Histórias da Filantropia Negra que Transformam Comunidades" nesta sexta-feira (29). A obra traz cases de instituições espalhadas pelo Brasil e que já receberam aporte do Fundo.

Segundo Graciela Hopstein, diretora executiva da Rede Comuá, o lançamento do e-book é um importante passo para projeção do que tem sido feito na filantropia brasileira. "O trabalho do Fundo Agbara, que integra a Rede Comuá, demonstra como apoiar mulheres negras em seu protagonismo e mostra como a transformação comunitária contribui para a justiça socioambiental", afirma.

A obra fortalece a trajetória de instituições de filantropia que, com o aporte financeiro do Fundo Agbara, puderam ampliar suas práticas nos territórios. Estas organizações adotaram estratégias que vão além da ajuda ou assistência, atuando na transformação das estruturas que perpetuam desigualdades.

Para Aline Odara, Diretora Executiva do Fundo Agbara, o lançamento reforça a agenda da instituição. "Democratizar o campo da filantropia e dar espaço e protagonismo para iniciativas comunitárias de mulheres negras, que são profundamente comprometidas com a Justiça Social é o nosso objetivo", diz.

Um dos casos apresentados no livro é a "Revista Aquenda", fundada em 2017 na capital paulista. O grupo nasceu com a intenção de criar e implementar projetos para a inclusão e o empoderamento da comunidade LGBTQIAPN+ e de mulheres afro-indígenas e periféricas. Com o apoio do Fundo, centenas de pessoas já foram capacitadas pela organização, que fomenta empreendedores nas áreas de moda, corte e costura, marketing e comunicação, oferecendo qualificações alinhadas à indústria cultural e economia criativa.

Até dezembro de 2023, a organização tem como meta ampliar em 35% o atendimento a pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres afro-indígenas. Com isso, pretende expandir os seus projetos locais, estabelecendo colaborações com programas governamentais de aceleração e parcerias com instituições de ensino e educação. Um dos focos centrais é potencializar a formação de empreendedores por meio do curso de Transmutação Têxtil, que engloba o ensino de corte e costura e incentiva abordagens criativas por meio do reaproveitamento de materiais.

Já no estado da Bahia, o coletivo "Guerreiras Sem Teto", da cidade de Simões Filho, e o Instituto "Rainhas do Mar", em Santo Amaro, são outras iniciativas que receberam o apoio do Fundo Agbara e têm impactado positivamente a vida de centenas de pessoas. O "Guerreiras Sem-Teto" surgiu a partir do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB) em 2005 para enfrentar conflitos cotidianos e combater a violência contra as mulheres.

Entre as suas ações se destacam a Marcha das Guerreiras Sem-Teto e a criação da cooperativa Guerreira Zeferina, que visa a geração de renda e a autonomia de mulheres periféricas. Com foco na luta por moradia digna, fortalecimento do trabalho de base e formação política, o MSTB concentra suas atividades na Região Metropolitana de Salvador, bem como em algumas cidades do interior do estado. O coletivo também investe na educação para geração de renda por meio de cooperativas e empreendedorismo feminino, além de criar espaços educativos e culturais nas ocupações, promovendo debates, feiras de saúde, escolas comunitárias e hortas coletivas.

Em Santo Amaro, o "Rainhas do Mar" visa erradicar as vulnerabilidades sociais e conscientizar a população de seu potencial transformador. Com atuação na região do Recôncavo Baiano, priorizando a comunidade pesqueira e quilombola de Acupe, a organização dedica esforços para cuidar do meio ambiente e fortalecer o desenvolvimento socioeconômico, estimulando a autonomia comunitária.

O instituto oferece orientações sobre direitos urbanísticos e ambientais, além de auxílio na elaboração de planos e projetos populares. O diferencial é a conexão profunda com o seu público alvo, que é o protagonista, já que a organização é concebida por pessoas que vivem nas próprias comunidades, o que resulta em um entendimento genuíno de suas necessidades.

O e-book estará disponível para download gratuito no site do Fundo Agbara a partir de 29 de setembro.

Alma Preta
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