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“Filho de pobre joga fora”, diz mãe ao confirmar sumiço de ossada em cemitério de SP

Cemitério Campo Grande tinha 90 dias para encontrar restos mortais tirados do túmulo sem autorização da família

14 ago 2025 - 09h41
(atualizado às 17h52)
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Resumo
Família de Gabriel Paiva procurou a ossada do jovem morto em 2017, mas não a encontrou. Após o prazo de verificação no ossário do cemitério, nada foi localizado. Desde o assassinato do filho de 16 anos, espancado a pauladas, a mãe vive entre a revolta e as dificuldades.
Cemitério Campo Grande, na zona sula de São Paulo, não encontrou registro da exumação, nem os restos mortais de Gabriel Alberto Tadeu Paiva.
Cemitério Campo Grande, na zona sula de São Paulo, não encontrou registro da exumação, nem os restos mortais de Gabriel Alberto Tadeu Paiva.
Foto: Arquivo pessoal

O Grupo Maya, que administra o Cemitério Campo Grande, zona sul de São Paulo, não localizou a ossada de Gabriel Alberto Tadeu Paiva, reclamada pela família – a administração tinha 90 dias para fazer a procura e, decorrido o prazo, não encontrou os restos mortais.

“Não localizamos ossos com qualquer identificação que permita individualizar Gabriel”, informa o Grupo Maya. O jovem foi assassinado aos 16 anos, em 2017, a pauladas, por um policial militar conhecido como “Negão da Madeira”. O sepultamento e a remoção da ossada aconteceram quando o Cemitério Campo Grande era administrado pela Prefeitura de São Paulo.

O Grupo Maya assumiu em 2023. Agora, a única possibilidade de encontrar os restos mortais de Gabriel é verificando cerca de 50 mil ossadas do Cemitério Campo Grande. Para isso, seria preciso autorização judicial e exame de DNA para os despojos não identificados pela Prefeitura.

A SP Regula, Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo, responsável pela fiscalização, orienta, em nota, “que a família procure diretamente a agência reguladora para atendimento e esclarecimentos a fim de identificar as causas de ausência de registros e investigar a localização das ossadas”.

Gabriel Paiva (direita) tinha hábitos normais de um jovem de periferia: estudava, ia a lanchonetes de shoppings.
Gabriel Paiva (direita) tinha hábitos normais de um jovem de periferia: estudava, ia a lanchonetes de shoppings.
Foto: Arquivo pessoal

"Agora não tenho medo de mais nada", diz a mãe

“Como é o filho de um pobre, tanto faz, joga fora, é assim que eles fazem”, revolta-se, aos prantos, Zilda Regina de Paiva, mãe de Gabriel. Enfrentando graves problemas psicológicos e financeiros, como a suspensão do Bolsa Família, a mãe da vítima foi informada, pela reportagem, de que os restos mortais do filho não haviam sido encontrados.

Ela respondeu com um desabafo de 497 palavras, sem vírgulas nem ponto final. Dona Zilda reclama das duas tentativas frustradas de encontrar a ossada e do fato de não ter condições de pagar um advogado para reivindicar seus direitos. Ela escreve que é “uma mãe que não tem auxílio de ninguém”, lembra de despejos, de “quantas vezes fiquei sem comer” e afirma que as autoridades se omitem: “nem para me pedir desculpas”.

Cemitério Campo Grande, na zona sul de São Paulo, passou a ser administrado pelo Grupo Maya em 2023.
Cemitério Campo Grande, na zona sul de São Paulo, passou a ser administrado pelo Grupo Maya em 2023.
Foto: Alessandra Haro

Dona Zilda termina o texto pedindo ajuda e dizendo que “agora não tenho medo de mais nada”. Apesar do destemor, ela não tem ideia de como agir daqui para frente, nem como tentar uma indenização à qual pode ter direito.

Tatiane Godoy, que sempre esteve ao lado da tia, não se surpreendeu ao saber que a ossada do primo não havia sido encontrada. “Isso já era bem previsto, né? Infelizmente, eu já sentia isso no meu coração há muito tempo, desde toda essa enrolação deles”.

Entenda o caso

Gabriel Alberto Tadeu Paiva morava na região de Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, quando foi espancado e morto pelo policial militar Jefferson Souza, conhecido como “Negão da Madeira”. O PM foi condenado a 18 anos e oito meses de prisão.

A exumação de Gabriel poderia ser feita a partir de 2020, com ordem judicial, por se tratar de morte violenta. Em 2023, a família foi ao Cemitério Campo Grande e não encontrou a ossada.

Em contato com o Visão do Corre, em maio deste ano, o Cemitério informou que “no livro oficial herdado da gestão anterior, não há informação acerca da exumação”. E se comprometeu a fazer uma nova busca, com prazo de 90 dias. Nada encontrou.

Fonte: Visão do Corre
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