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Cercado de corintianos, ossário de Sabotage é guardado por rapper

Restos mortais descansam em paz ao lado de torcedores do Corinthians. Manutenção do cemitério é coordenada por fã rimador

25 jan 2025 - 09h51
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Resumo
Seis corintianos estão ao lado de Sabotage no ossário, identificados pelo símbolo do time, no Cemitério Campo Grande, zona sul da capital paulista. O rapper foi enterrado em 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, há 22 anos. O responsável pela manutenção do cemitério é rimador e família teve relação próxima com Sabotage – seu tio foi o primeiro DJ do maestro do Canão.
Luiz Gustavo Aparecido da Silva, 25 anos, o rapper Elli Gee, supervisiona a manutenção do cemitério.
Luiz Gustavo Aparecido da Silva, 25 anos, o rapper Elli Gee, supervisiona a manutenção do cemitério.
Foto: Marcos Zibordi

Sabotage está em boa companhia no Cemitério Campo Grande, zona sul de São Paulo. Depois que foi transferido do túmulo para o ossário, seus restos mortais repousam ao lado de seis corintianos – todos, como ele, com o símbolo do Corinthians nas placas de identificação no muro do bloco 18.

As coincidências são futebolísticas e musicais. Um dos supervisores da manutenção do cemitério é um mano do rap, Luiz Gustavo Aparecido da Silva, 25 anos, vulgo artístico Elli Gee, que são as iniciais do nome escritas por extenso.

Seu tio e seu pai foram parceiros de música de Sabotage, ainda antes do cabelo espetado e da fama. Quando começou a trabalhar no cemitério Campo Grande, há dois anos, Elli Gee não sabia que o ídolo estava enterrado ali.

Bloco 18, onde está o ossário de Sabotage, paralelo ao muro do cemitério Campo Grande, zona sul de São Paulo.
Bloco 18, onde está o ossário de Sabotage, paralelo ao muro do cemitério Campo Grande, zona sul de São Paulo.
Foto: Marcos Zibordi

Funcionário novo, contou sobre seu envolvimento com o rap, comentou que faria uma apresentação e os companheiros disseram que Sabotage estava enterrado no local. “Eu falei: como é que é? Vou lá agora. Tirei uma foto, mandei pro meu tio e pro meu pai, falei olha quem está aí”, conta Elli Gee.

Família envolvida com rap

O nome do grupo do tio e do pai de Elli Gee era Do Morro pro Asfalto, da zona sul de São Paulo. Sabotage homenageou o parceiro dos anos 90 em um verso que muita gente canta errado. O correto é “IA espera aí, o Helião citou do Cicatriz, irmãozinho na moral, na humilde, age no crime”.

IA é o vulgo do rimador William Moreira Santana, do grupo Do Morro pro Asfalto. Ele é pai do rapper que trabalha no cemitério. Seu tio, Kanibal, ou Alex Moreira Santana, foi o primeiro DJ de Sabotage, no início dos anos 90 – dos quatro fundadores do grupo, só ele continua na ativa, agora rimando.

Sabotage com IA, de braços cruzados, à frente; e Kanibal, atrás, à esquerda. Foto na casa de shows Reggae Nigth, São Paulo, 2002.
Sabotage com IA, de braços cruzados, à frente; e Kanibal, atrás, à esquerda. Foto na casa de shows Reggae Nigth, São Paulo, 2002.
Foto: Arquivo pessoal

Entre as fotos históricas guardadas com carinho pela família, há uma tirada no banheiro da boate Reggae Night, em 2002. Na imagem aparecem, entre outros, Sabotage, o pai e o tio de Elli Gee. Segundo o tio “o camarim estava lotado e a gente queria tirar uma foto dos mais chegados, aí fizemos no banheiro”.

Para Elli Gee, o disco de estreia de Sabotage é “o maior álbum de boom bap do Brasil. Desde os samplers, métrica, assuntos, os convidados, as quebradas que nunca eram citadas”. Boom bap é um estilo, e as palavras fazem referência ao bumbo e às caixa.

Homenagens deixadas no ossário

Os ossários são gavetas de concreto onde os ossos são guardados dentro de um saco plástico. Vão para lá após três anos do corpo no túmulo. No Cemitério Campo Grande, os ossários ficam em muros, cada um com 120 espaços.

Ossário de Sabotage. Em volta, estão restos mortais de torcedores de times da capital paulista, a maioria corintianos.
Ossário de Sabotage. Em volta, estão restos mortais de torcedores de times da capital paulista, a maioria corintianos.
Foto: Marcos Zibordi

No bloco 18, Sabotage ocupa o ossário 68. Além do nome, datas e alguma frase, geralmente bíblica, há vários símbolos de times de futebol, demarcando as preferências dos mortos.

No muro onde está Sabotage, há um são-paulino, três palmeirenses, três santistas e seis torcedores do Corinthians, incluindo o rapper. Na borda da placa, diferente de todos os outros, está esculpido “Maurinho”.

O rapper Elli Gee, que trabalha no cemitério, conta que sempre vem gente ver Sabotage. Alguns bolam um baseado e deixam aceso. Tem até quem sabe disso e passa para fumar o cigarro deixado em homenagem.

O pai de Pedro Henrique Menezes Pereira está enterrado perto de Sabotage. Quando vem ao cemitério, visita os dois.
O pai de Pedro Henrique Menezes Pereira está enterrado perto de Sabotage. Quando vem ao cemitério, visita os dois.
Foto: Marcos Zibordi

Um fã confirma o ritual. Pedro Henrique Menezes Pereira, 25, tem o pai enterrado perto e, quando vem visitá-lo, passa para dar um salve a Sabotage. “Às vezes tem baseado, outras vezes deixam a ponta. Meu pai adorava Sabotage, cresci ouvindo. Ouço rap o dia inteiro”, conta Pereira, que é corintiano.

Fonte: Visão do Corre
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