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Fórum Nacional de Mulheres no Hip Hop começa em Vila Velha

Mc Sharylaine fala da pauta e da trajetória da principal rede feminina de hip hop nacional, presente em todos os estados

30 abr 2024 - 05h00
(atualizado às 10h42)
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Resumo
O Fórum da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop teve início em 2010 e tem objetivo de produzir ferramentas contrárias à lógica de que o hip hop é só masculino. Uma das fundadoras do Fórum, MC Sharylaine concede entrevista exclusiva para falar da edição deste ano e dos projetos para os próximos.
MC Sharylaine esteve na fundação do coletivo de 14 anos. Ela enxerga a necessidade de passar o bastão para a nova geração
MC Sharylaine esteve na fundação do coletivo de 14 anos. Ela enxerga a necessidade de passar o bastão para a nova geração
Foto: Rovena Rosa/AB

O 9º Fórum da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop começa em 1 de maio em Vila Velha, Espírito Santo. Fundado em 2010, tem representantes em todos os estados brasileiros e Distrito Federal. Trata-se da principal organização feminina do gênero no país. O encontro vai até 5 de maio.

Uma das fundadoras da Frente é MC Sharylaine, pioneira do rap nacional. De longa caminhada, estava no primeiro grupo feminino brasileiro do gênero, o Rap Girls, criado em 1986. Três anos depois, foi a única mulher rimando no lendário disco Consciência Black, de 1990, que lançou nomes como Racionais MCs.

Desde 2021, ela vem trabalhando junto ao Instituto Geledés para recuperação da memória do Projeto Rappers, que completou trinta anos. Ele juntou e conscientizou os primeiros integrantes do movimento hip hop em São Paulo, alertando, sobretudo, para o racismo e a negritude.

O trabalho junto ao Geledés rendeu um documentário chamado Projeto Rappers: A Primeira Casa do Hip Hop Brasileiro – História e Legado. E dele saíram um podcast, a recuperação dos arquivos da histórica revista Pode Crê, além de livro e história em quadrinhos. Foram lançados no Brasil e nos Estados Unidos.

Atualmente, MC Sharylaine representa o hip hop no Conselho de Participação Social da Presidência da República. E continua cantando. No momento, finaliza um vídeo clipe de música pronta.

Ela conversou com Visão do Corre sobre o Fórum da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop.

Qual o principal objetivo do Fórum deste ano?

Além do encontro que sempre proporciona grandes trocas, debates e aprendizados, o objetivo principal é apresentação do regimento da nossa Rede.

Ainda não havia um regimento?

Funcionamos esses quatorze anos, pasme, de forma orgânica, e agora a gente colocou no papel o que a gente fazia.

Em parceria com Clodoaldo Arruda, MC Sharylaine dirigiu o documentário Projeto Rappers: A Primeira Casa do Hip Hop Brasileiro – História e Legado
Em parceria com Clodoaldo Arruda, MC Sharylaine dirigiu o documentário Projeto Rappers: A Primeira Casa do Hip Hop Brasileiro – História e Legado
Foto: Rovena Rosa/AB

O documentário que você e Clodoaldo Arruda dirigiram pretende enfrentar o apagamento da atuação do Geledés, um instituto de mulheres negras, na origem do hip hop paulistano?

Sim, mas para além de romper este apagamento, Geledés possui um vasto centro de memória, e não seria diferente o tratamento a este tão importante projeto como o Projeto Rappers, que gerou inúmeros desdobramentos. Resgatar e registrar as memórias é uma prática da instituição.

Poderia resumir a origem da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop?

Ela existe há quatorze anos, mas vale ressaltar que é um desdobramento do projeto Femini Rappers, que nasceu em 1993, dentro do espaço Geledés, com Lady Rap, MC Regina e outras manas. Isso se desdobra na fundação do Minas da Rima, em 2001, quando nós fizemos um grande festival e, a partir daí, vários grupos foram sendo criados.

E várias formas de grupo também.

Isso, coletivos, redes, e aqueles grupos que estavam conectados a partir do Minas da Rima, se reuniram para a Frente Nacional na sua fundação. A gente continua resistindo.

Qual o principal objetivo da Frente?

Produzir ferramentas, quebrar com essa lógica de que o hip hop é para homem, feito por homem, que essa produção é só masculina. Queremos dar visibilidade.

Mas foi além da visibilidade.

A gente descobriu que não era só a parte de apoio cultural, de trocar saberes, de inscrição de projetos ou editais. A gente acaba tendo que responder uma coisa que não foi pensada, mas era uma consequência: a questão da violência, nas suas mais variadas formas. As meninas acabam recorrendo à gente.

Fonte: Visão do Corre
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