Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

The Town 2025: não são fãs nem shows que aquecem pequenos negócios em Interlagos

O principal impacto econômico não é de quem vai ver as apresentações, mas das pessoas que trabalham antes e depois do evento

5 set 2025 - 07h34
(atualizado às 18h01)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Um batalhão de trabalhadores chega um mês antes e só vai embora um mês depois de festivais como o The Town. Ocupam casas, quartos e quitinetes temporariamente. Tomam café da manhã e compram milhares de marmitex nos pequenos comércios das cinco comunidades do Complexo Vila da Paz.
Trabalhadores instalam faixa no portão principal do The Town, no Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo.
Trabalhadores instalam faixa no portão principal do The Town, no Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo.
Foto: Marcos Zibordi

Nos grandes eventos, o que faz diferença para os pequenos comércios ao redor do Autódromo de Interlagos não são os fãs dos shows, mas os vários dias de montagem e desmontagem da estrutura. Por isso, em um meio-dia de calor em São Paulo, Danielle de Jesus e sua funcionária sobem a rua que leva ao portão principal do The Town carregando sacolas de marmitex.

A empreendedora é dona, junto com uma sócia, do restaurante Jeito Mineiro, localizado a poucos metros do Autódromo de Interlagos. Um chefe da Guarda Civil Metropolitana almoçou no local, gostou e recomendou aos soldados. Seis deles pediram refeição na calçada, e Danielle, acompanhada de sua fiel escudeira, foi entregar.

Elas entregam duas marmitas, atravessam a rua e deixam mais duas, retornam e entregam as últimas. Por seis vezes, Danielle confere os pedidos, passa a maquininha, agradece e volta, atribuladíssima, ao restaurante. “Reportagem? Pra onde? Com esse cabelo?”, pergunta caminhando.

“Vendo muito marmitex para quem trabalha. Até abro o restaurante nos shows, mas não tem fluxo, o pessoal consome lá dentro”, explica Danielle. A montagem dos palcos para o The Town começou há um mês, com equipes trabalhando 24 horas por dia.

Danielle de Jesus trabalha muito mais nos dias que antecedem os grande festivais, como The Town, e depois, na desmontagem.
Danielle de Jesus trabalha muito mais nos dias que antecedem os grande festivais, como The Town, e depois, na desmontagem.
Foto: Marcos Zibordi

“Pagamos as contas em dia”, comemora empreendedora

Os trabalhadores entram e saem do Autódromo de Interlagos pelo portão Z, em frente à favela do Morrão. Ali, Marta Oliveira, 49 anos, da Mercearia Martinha, vende salgados, pães, café com leite e lanches. Ela e o marido tocam o negócio há vinte anos.

Abre de domingo a domingo, às seis da manhã. No café, o movimento ferve com os trabalhadores que entram e saem de Interlagos. A Mercearia Martinha permanece aberta até quando o fluxo permitir, por vezes até as onze da noite. Segundo a proprietária, o The Town, com dois meses de trabalho, rende mais do que a Fórmula 1 e o Lollapalooza.

Vendendo água a R$ 3 e coxinha a R$ 6, Marta garante que não reajusta os preços nos grandes eventos porque ‘o pessoal volta em outros trabalhos e fica chato’. Pergunto se pode exemplificar a diferença nas vendas durante o The Town. “Sabe como eu sei? A gente conseguiu pagar as contas em dia.”

Marta Oliveira, abre 6 horas e vai até o final da noite servindo lanches, salgados e pães para os trabalhadores do The Town.
Marta Oliveira, abre 6 horas e vai até o final da noite servindo lanches, salgados e pães para os trabalhadores do The Town.
Foto: Marcos Zibordi

A alta concorrência de hospedagem temporária para o The Town

Celso Ribeiro, 66 anos, nasceu “de parteira” no mesmo terreno onde hoje mantém a casa que aluga temporariamente durante os eventos no Autódromo de Interlagos. Fica a dez minutos a pé do portão Z, por onde entram os trabalhadores do The Town. O proprietário oferece 20 camas, mas permite que os hóspedes tragam colchões.

“Costumo fechar com empresas por temporada; o pacote mínimo é de vinte noites”. Os quartos estão lotados de trabalhadores do The Town, como um produtor do Rio de Janeiro que chega enquanto Celso explica que o grupo da empresa entrou na casa em 20 de julho para ficar dois meses. Eles sairão em 20 de setembro.

Diferente de Belém, onde os preços de hospedagem para a COP 30 estão altos, ao redor de Interlagos “a concorrência está fazendo o preço cair”, diz o proprietário. “Aluguel de casa, quarto e quitinete está dominando tudo, diminui até preço de hotel”. O pacote fechado com a empresa que Celso atende para o The Town saiu por volta de R$ 50 por pessoa.

Celso Ribeiro prefere fechar pacotes com empresas que trazem trabalhadores para o The Town e outras grandes eventos no Autódromo de Interlagos.
Celso Ribeiro prefere fechar pacotes com empresas que trazem trabalhadores para o The Town e outras grandes eventos no Autódromo de Interlagos.
Foto: Marcos Zibordi

Os dois corres que não rolam na economia local

Na Fórmula 1, moradores das comunidades ao redor de Interlagos alugam varandas e lajes, versões econômicas de camarotes. Mas elas não atraem clientes em festivais como Lollapalooza e The Town. “Não dá para escutar a música, nem ver o palco; o The Town acontece na parte baixa de Interlagos, não vale a pena”, explica Rafael de Moraes Souza, presidente da Associação de Moradores da Favela Vila da Paz.

Outro empreendimento pessoal que praticamente não ocorre durante o The Town e outros festivais é o trabalho dos ambulantes. É proibido vender água, cerveja, lanches naturais, doces, balas ou chicletes. Os policiais civis metropolitanos mencionados no início da reportagem, que compraram as marmitas de Danielle, relatam que o principal trabalho durante os shows é justamente reprimir os ambulantes.

“Mas, sendo proibido há tanto tempo, com tantos eventos e tanta polícia, ainda há quem arrisque vender nos arredores do festival?”, pergunta o repórter. O policial, talvez desacreditando da obviedade da pergunta, resume com um gíria que todo paulistano entende: “Os cara mete o louco, amigo.”

Fonte: Visão do Corre
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade