Veja como funciona o remédio experimental importado para o tratamento de Lito Sousa
A substância ALN-6457 teve liberação expressa no Aeroporto de Guarulhos para garantir a eficácia contra a doença de Creutzfeldt-Jakob
Em operação ágil entre Receita Federal e Anvisa, o medicamento experimental ALN-6457 chegou dos EUA para tratar o influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a rara e grave doença de Creutzfeldt-Jakob. A substância, obtida por uso compassivo diretamente pela família sem recursos públicos, foi levada de helicóptero ao Hospital Albert Einstein devido à perda rápida de eficácia. O fármaco busca frear a degeneração cerebral causada pela condição, que não possui terapias convencionais aprovadas.
Uma força-tarefa coordenada entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária garantiu a rápida liberação aduaneira de um medicamento experimental vindo dos Estados Unidos para o tratamento do influenciador Lito Sousa. O especialista em aviação, de 59 anos, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara causada por príons. A urgência no desembarque ocorreu devido à perda progressiva de potencial terapêutico do insumo ao longo do tempo.
Logística de emergência e o programa de uso compassivo
A carga contendo a substância ALN-6457, desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals, desembarcou no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, durante a madrugada. A Receita Federal destacou em nota oficial a eficiência da operação conjunta: "A rapidez da operação foi resultado da atuação coordenada entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O planejamento prévio entre as equipes possibilitou a antecipação dos procedimentos necessários para a liberação da carga, garantindo que o medicamento seguisse seu trajeto sem atrasos".
Para agilizar a entrega, a carga foi transferida diretamente da aeronave comercial para um helicóptero, com destino ao Hospital Israelita Albert Einstein. A substância está em fase pré-clínica de testes e sua entrada no país foi concedida por meio do mecanismo de uso compassivo, voltado a pacientes com enfermidades graves sem alternativas no mercado.
A esposa do criador de conteúdo, Mila Seidl, esclareceu nas redes sociais que os trâmites foram obtidos diretamente pela família e pela equipe médica, negando a interferência de agentes políticos ou financeiros.
Ela declarou: "Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito". Ela complementou ressaltando a independência da conquista: "Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo. Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada".
Gravidade da doença de Creutzfeldt-Jakob
A doença de Creutzfeldt-Jakob provoca a rápida deterioração das funções cerebrais e não conta com tratamentos capazes de reverter seu progresso na medicina atual. Dados do Ministério da Saúde apontam a confirmação de 547 casos no Brasil entre os anos de 2005 e 2021, com maior incidência em pacientes com idades entre 55 e 74 anos.
Após receber alta hospitalar para continuar o acompanhamento em casa, o especialista comentou a expectativa pelo tratamento em uma publicação aos seguidores: "Eu vou ter muito trabalho depois que eu melhorar, porque está acontecendo tanta coisa. Até eu me inteirar de tudo". A aplicação da substância busca interromper o avanço dos sintomas e trazer novas perspectivas para o quadro clínico.
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