Por que as capivaras comem o próprio cocô? Entenda hábito curioso
No Dia da Capivara, comportamento que pode causar estranhamento revela uma adaptação importante do maior roedor do mundo
O hábito das capivaras de ingerir as próprias fezes, chamado de coprofagia, é uma estratégia evolutiva vital para a sua digestão. Como esses roedores herbívoros se alimentam de vegetais ricos em fibras, como capins e cascas, a reingestão do excremento permite reintroduzir bactérias benéficas no organismo e absorver nutrientes essenciais que não foram processados na primeira digestão, garantindo o máximo aproveitamento de sua dieta flexível.
O Dia da Capivara, celebrado em 14 de setembro, o chama atenção para o maior roedor do mundo. Nativas da América do Sul, as capivaras são animais semiaquáticos e sociáveis, encontrados principalmente em regiões próximas a rios, lagos e outras fontes de água. Entre seus hábitos, contudo, existe um que costuma causar estranhamento: comer as próprias fezes.
Apesar de parecer incomum para os humanos, esse comportamento tem uma função no organismo do animal. De acordo com a organização internacional de conservação World Wildlife Fund Canada, a prática está relacionada à forma como as capivaras aproveitam os alimentos.
Por que capivaras comem fezes?
O comportamento está ligado ao funcionamento do sistema digestivo das capivaras. Segundo o WWF Canada, as fezes desses animais carregam bactérias benéficas que auxiliam na digestão das fibras presentes nos vegetais. Ao ingeri-las, então, as capivaras têm uma nova oportunidade de aproveitar nutrientes que não foram absorvidos anteriormente. Essa estratégia evolutiva recebe o nome de coprofagia.
A prática está relacionada às características da dieta da espécie. Como boa parte do cardápio é composta por alimentos vegetais ricos em fibras, o processo digestivo precisa lidar com materiais mais difíceis de serem completamente aproveitados. Portanto, a ação das bactérias intestinais desempenha um papel importante.
Afinal, o que comem?
As capivaras são herbívoras e conseguem adaptar o cardápio aos recursos encontrados no ambiente. Gramíneas e capins estão entre suas principais fontes de alimento, principalmente pela abundância desse tipo de vegetação nas áreas onde costumam viver.
Entretanto, a dieta não se restringe ao capim. Plantas aquáticas, folhas, cascas, frutas, raízes e tubérculos também podem fazer parte da alimentação. A variedade depende tanto do local quanto da disponibilidade de recursos ao longo do ano.
Em períodos de menor oferta de vegetação, por exemplo, raízes, tubérculos e cascas podem ganhar espaço no cardápio. Essa flexibilidade permite que o animal aproveite diferentes fontes vegetais conforme as condições do ambiente.
A relação com as plantas é tão característica que aparece até no nome popular do animal. O termo "capivara" tem origem tupi-guarani e está associado à ideia de "comedor de capim".
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