Um dos maiores filósofos do século 20 já havia identificado o problema da geração Z: "não suportar o tédio"
Especialistas tem investigado como a busca incessante por distrações pode afetar a mente e a criatividade
Antes de entrarmos na questão filosófica, deixe eu te fazer uma pergunta pessoal: quando foi a última vez que você entrou em um trem, metrô ou qualquer outro transporte público? E o que fez durante o trajeto? O que os outros passageiros estavam fazendo?
A primeira resposta eu não sei. Mas sobre as outras duas, é bem provável que eu acerte, porque serão parecidas com o que eu mesmo faço quando estou viajando: pego o celular, leio notícias, abro o Instagram, dou uma olhada no TikTok, no X… Qualquer coisa para me distrair.
É o mais normal, não é? O mesmo acontece quando estamos na sala de espera do dentista, aguardando atendimento no açougue, esperando nosso filho sair da aula de natação ou simplesmente no elevador que nos leva da portaria ao andar onde moramos. Procuramos estímulos, uma forma rápida de ocupar nossa atenção.
O contrário seria quase contraintuitivo, porque, afinal, quem escolheria ficar entediado quando tem distrações ilimitadas na palma da mão?
Quem quer ficar entediado?
As redes sociais e os celulares podem ser invenções relativamente modernas, mas a "alergia" ao tédio não é. Tampouco é novo o debate sobre o espaço que ele ocupa — ou deveria ocupar — em nossas vidas. Na verdade, há algumas décadas, um dos pensadores mais influentes e conhecidos do século 20 já refletia sobre o assunto: o filósofo, lógico, matemático e escritor britânico Bertrand Russell.
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