Tati Machado fala sobre o luto e importância do acolhimento
Apresentadora compartilhou como a dor pela perda de Rael aparece em momentos inesperados; médica explica por que o luto pode ser reativado por situações do cotidiano
Ao relatar a perda do filho Rael, a apresentadora Tati Machado destacou a dor imprevisível do luto, que ressurge na rotina por meio de gatilhos como a música. Especialistas explicam que essas ondas de tristeza são normais, não lineares e refletem o luto pelo futuro interrompido. Sem prazo fixo para a superação, o processo exige tempo, respeito e escuta empática. O desabafo reforça a necessidade de acolhimento social, mostrando que seguir em frente é aprender a conviver com a ausência, sem apagá-la.
Tati Machado voltou a falar publicamente sobre o luto após a perda do filho, Rael. Em entrevista ao videocast Mil e Uma Tretas, a apresentadora explicou que a dor nem sempre aparece nos momentos esperados.
"O pior dia do luto não é o dia que acontece. O pior dia do luto é um dia qualquer (…) quando você está ouvindo uma música e, do nada, você chora", afirmou.
A declaração mostra como o luto pode surgir no cotidiano. Uma atividade simples pode despertar lembranças, saudade e tristeza. Isso pode acontecer mesmo quando a pessoa parece estar seguindo a rotina.
Por que o luto aparece de repente?
De acordo com a médica Mariellen Freitas, com atuação voltada à saúde mental, o cérebro associa estímulos a memórias e emoções.
"Uma música, uma fotografia, um cheiro, um lugar ou até uma data podem funcionar como gatilhos emocionais", explica.
Esses estímulos podem lembrar a pessoa que morreu. Eles também podem retomar planos, conversas e experiências compartilhadas.
A música tem uma ligação especialmente forte com a memória autobiográfica. Pesquisas indicam que uma canção pode evocar pessoas, lugares e fases específicas da vida.
Por isso, uma música pode provocar uma reação intensa. O cérebro reconhece aquele som. Em seguida, acessa emoções ligadas à história de quem está enlutado.
Sentir tristeza significa piorar?
Não necessariamente. As ondas de tristeza fazem parte do processo de adaptação à perda.
"É possível que a pessoa esteja seguindo sua rotina normalmente e, de repente, seja surpreendida por uma onda de tristeza. Isso não significa que ela esteja piorando ou que não tenha elaborado o luto", afirma Mariellen.
O luto não segue uma linha reta. A dor pode diminuir por alguns dias e retornar depois. Também pode mudar de forma com o passar do tempo.
Em alguns momentos, ela aparece como tristeza. Em outros, surge como saudade, irritação, culpa ou falta de concentração.
A perda de um bebê e o luto pelo futuro
A perda de um bebê envolve uma ausência profunda. A família também precisa lidar com a interrupção de expectativas e planos.
"Existe também o luto pelo futuro que havia sido imaginado", afirma a médica.
Esse futuro inclui situações que não acontecerão. Entre elas, estão o nascimento, os primeiros passos, as comemorações e a convivência diária.
A perda também interrompe uma relação que estava começando a ser construída. Por isso, a dor pode envolver tanto as memórias existentes quanto os momentos que não puderam acontecer.
Existe prazo para superar o luto?
Não existe um prazo universal para o fim do luto. Cada pessoa reage de uma maneira e precisa de um tempo próprio.
"O luto pode mudar de intensidade e de forma ao longo do tempo. Seguir vivendo não significa esquecer ou deixar de sentir", explica Mariellen.
A cobrança por uma recuperação rápida pode aumentar o sofrimento. Frases como "você precisa ser forte" ou "já faz tempo" nem sempre ajudam.
O mais importante é oferecer escuta, presença e respeito. A pessoa enlutada pode precisar falar, chorar ou permanecer em silêncio.
Como acolher alguém enlutado
Algumas atitudes podem ajudar no acolhimento:
-
Escute sem tentar encontrar uma solução imediata.
-
Evite comparar perdas ou dores.
-
Não determine quanto tempo o luto deve durar.
-
Respeite os momentos de silêncio.
-
Ofereça ajuda prática, como preparar uma refeição.
-
Lembre-se de datas importantes para a família.
-
Incentive apoio profissional quando necessário.
A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender as emoções e reorganizar a rotina. Em situações de sofrimento intenso, o acompanhamento especializado é ainda mais importante.
Tati Machado ajuda a ampliar o debate
Ao falar sobre sua experiência, Tati Machado expõe uma dimensão pouco compreendida do luto. A dor não desaparece apenas porque a rotina continua.
Ela pode surgir em um dia comum, durante uma música ou diante de uma lembrança inesperada. Isso não representa fraqueza.
O relato de Tati Machado reforça que o luto precisa de tempo, acolhimento e respeito. Seguir em frente não apaga a perda. Significa aprender a viver com uma nova realidade.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.