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Tati Machado fala sobre o luto e importância do acolhimento

Apresentadora compartilhou como a dor pela perda de Rael aparece em momentos inesperados; médica explica por que o luto pode ser reativado por situações do cotidiano

30 set 2026 - 12h29
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Resumo
Ao relatar a perda do filho Rael, a apresentadora Tati Machado destacou a dor imprevisível do luto, que ressurge na rotina por meio de gatilhos como a música. Especialistas explicam que essas ondas de tristeza são normais, não lineares e refletem o luto pelo futuro interrompido. Sem prazo fixo para a superação, o processo exige tempo, respeito e escuta empática. O desabafo reforça a necessidade de acolhimento social, mostrando que seguir em frente é aprender a conviver com a ausência, sem apagá-la.

Tati Machado voltou a falar publicamente sobre o luto após a perda do filho, Rael. Em entrevista ao videocast Mil e Uma Tretas, a apresentadora explicou que a dor nem sempre aparece nos momentos esperados.

Foto: Divulgação / Alto Astral

"O pior dia do luto não é o dia que acontece. O pior dia do luto é um dia qualquer (…) quando você está ouvindo uma música e, do nada, você chora", afirmou.

A declaração mostra como o luto pode surgir no cotidiano. Uma atividade simples pode despertar lembranças, saudade e tristeza. Isso pode acontecer mesmo quando a pessoa parece estar seguindo a rotina.

Por que o luto aparece de repente?

De acordo com a médica Mariellen Freitas, com atuação voltada à saúde mental, o cérebro associa estímulos a memórias e emoções.

"Uma música, uma fotografia, um cheiro, um lugar ou até uma data podem funcionar como gatilhos emocionais", explica.

Esses estímulos podem lembrar a pessoa que morreu. Eles também podem retomar planos, conversas e experiências compartilhadas.

A música tem uma ligação especialmente forte com a memória autobiográfica. Pesquisas indicam que uma canção pode evocar pessoas, lugares e fases específicas da vida.

Por isso, uma música pode provocar uma reação intensa. O cérebro reconhece aquele som. Em seguida, acessa emoções ligadas à história de quem está enlutado.

Sentir tristeza significa piorar?

Não necessariamente. As ondas de tristeza fazem parte do processo de adaptação à perda.

"É possível que a pessoa esteja seguindo sua rotina normalmente e, de repente, seja surpreendida por uma onda de tristeza. Isso não significa que ela esteja piorando ou que não tenha elaborado o luto", afirma Mariellen.

O luto não segue uma linha reta. A dor pode diminuir por alguns dias e retornar depois. Também pode mudar de forma com o passar do tempo.

Em alguns momentos, ela aparece como tristeza. Em outros, surge como saudade, irritação, culpa ou falta de concentração.

A perda de um bebê e o luto pelo futuro

A perda de um bebê envolve uma ausência profunda. A família também precisa lidar com a interrupção de expectativas e planos.

"Existe também o luto pelo futuro que havia sido imaginado", afirma a médica.

Esse futuro inclui situações que não acontecerão. Entre elas, estão o nascimento, os primeiros passos, as comemorações e a convivência diária.

A perda também interrompe uma relação que estava começando a ser construída. Por isso, a dor pode envolver tanto as memórias existentes quanto os momentos que não puderam acontecer.

Existe prazo para superar o luto?

Não existe um prazo universal para o fim do luto. Cada pessoa reage de uma maneira e precisa de um tempo próprio.

"O luto pode mudar de intensidade e de forma ao longo do tempo. Seguir vivendo não significa esquecer ou deixar de sentir", explica Mariellen.

A cobrança por uma recuperação rápida pode aumentar o sofrimento. Frases como "você precisa ser forte" ou "já faz tempo" nem sempre ajudam.

O mais importante é oferecer escuta, presença e respeito. A pessoa enlutada pode precisar falar, chorar ou permanecer em silêncio.

Como acolher alguém enlutado

Algumas atitudes podem ajudar no acolhimento:

  • Escute sem tentar encontrar uma solução imediata.

  • Evite comparar perdas ou dores.

  • Não determine quanto tempo o luto deve durar.

  • Respeite os momentos de silêncio.

  • Ofereça ajuda prática, como preparar uma refeição.

  • Lembre-se de datas importantes para a família.

  • Incentive apoio profissional quando necessário.

A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender as emoções e reorganizar a rotina. Em situações de sofrimento intenso, o acompanhamento especializado é ainda mais importante.

Tati Machado ajuda a ampliar o debate

Ao falar sobre sua experiência, Tati Machado expõe uma dimensão pouco compreendida do luto. A dor não desaparece apenas porque a rotina continua.

Ela pode surgir em um dia comum, durante uma música ou diante de uma lembrança inesperada. Isso não representa fraqueza.

O relato de Tati Machado reforça que o luto precisa de tempo, acolhimento e respeito. Seguir em frente não apaga a perda. Significa aprender a viver com uma nova realidade.

Alto Astral
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